Com a morte de Fidel, foi metade do mundo a acusar quem não dizia que ele era “ditador” de ser conivente com todas as ditaduras, e a outra metade indignada com o modo como Fidel era equiparado a Pinochet e mesmo a Salazar
Existe hoje, como sinal do reducionismo e simplismo que vai crescendo na vida política portuguesa, uma verdadeira histeria das classificações. A morte de Fidel foi disso um bom exemplo, com metade do mundo a acusar quem não dizia que ele era "ditador" de ser conivente com todas as ditaduras, e a outra metade indignada com o modo como Fidel era equiparado a Pinochet e mesmo a Salazar. Depois vinha outra habitual palermice a que estamos cada vez mais habituados, a medida das ditaduras pelo número de mortos que tinham causado, uma boa maneira de atirar Fidel ao fundo, e de reabilitar a ditadura soft de Salazar. O número de mortos conta certamente para não metermos tudo no mesmo saco, e aí Hitler e Estaline são a primeira divisão, mas a contabilidade exige outros critérios, que são históricos e políticos. Por exemplo, na contabilidade de Salazar incluímos os mortos pela PIDE, ou em manifestações, mas excluímos os mortos da guerra colonial. Deixemos essa sinistra contabilidade que pouco nos diz sobre a natureza das personalidades e dos regimes, a não ser que são, regra geral pouco amigos da vida humana.
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