Sábado – Pense por si

Maria Henrique Espada
Maria Henrique Espada
08 de junho de 2026 às 23:00

O tristíssimo ocaso de Guterres

Não sendo o único culpado dos males do mundo e da casa que governa (mas pouco), Guterres não foi inspirador, não foi exigente, não foi popular, não foi sequer levado a sério. Sai pela porta pequena, nota de rodapé do declínio ético e político da ONU.

Portugal foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU. Um orgulho, até repararmos que por companhia terá, entre outros, o Zimbabwe, eleito na mesma ocasião. O Zimbabwe onde há assassinatos políticos extrajudiciais, tortura, censura, detenções arbitrárias e maus-tratos em massa de opositores, mais todo o rol de desumanidades típicas de um regime execrável. Já a Alemanha, certamente culpada de outros malefícios, não conseguiu ser eleita. Para vice-presidentes da Assembleia Geral, foram entretanto escolhidos faróis da carta fundadora como o Iraque, a China, o Egito, a Eritreia (uma espécie de Coreia do Norte em África), a Rússia, o Gabão, o estado falhado do Líbano, o Zimbabwe (claro) e o maravilhoso Afeganistão. No início do ano, a ONU já tinha escolhido o Irão - após o massacre pelo regime de dezenas de milhares de pessoas nas ruas - para a sua Comissão de Desenvolvimento Social.

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