“Puta só, ladrão só”
João Paulo Batalha
24 de fevereiro

“Puta só, ladrão só”

PS e PSD sabotaram a lei eleitoral autárquica em benefício do seu próprio poder. Se agora voltarem atrás, saúde-se a vergonha, mesmo ao retardador.

O título deste artigo é uma herança de família. Faz parte dos ditos sábios do meu avô Batalha. Ensinou-me o avô Batalha que há profissões em que é impossível arranjar sócios de confiança. Em que mais vale ser, digamos, empresário em nome individual. Prostitutas e ladrões são um exemplo. Políticos podiam também estar nesta lista.

Vem isto a propósito das relações entre o PS e o PSD. Ora namorando os "acordos de cavalheiros" que sustentam o centrão mutuamente benéfico, ora cedendo à tentação da facada para ganho eleitoral, a maré está sempre a virar. Na eleição do presidente do Tribunal Constitucional, o PS queixou-se que o PSD teria violado um dos tais "acordos de cavalheiros" para a partilha do cargo – uma alegação grave, porque implica que depois de se porem de acordo sobre os nomes a indicar (a nomeação exige maioria de dois terços no Parlamento), PS e PSD dariam depois instruções aos juízes nomeados sobre quem devem preferir na eleição interna para a presidência do Tribunal.

O PSD fez-se desentendido sobre a existência do dito acordo de cavalheiros, deixando o PS a fazer sozinho a má figura de querer condicionar os juízes do Tribunal Constitucional depois da sua eleição. O episódio deixou evidente o mau processo de nomeação dos juízes deste tribunal e a sua permeabilidade a influências – ou mesmo captura pura e simples – pelo poder político. Não é grande novidade: há praticamente um ano, António Ventinhas tinha exposto esse problema, que já então não era novo. 

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