A vassoura e o martelo
João Paulo Batalha
17 de março

A vassoura e o martelo

A inércia e o facilitismo estão a criar uma situação explosiva nas forças de segurança portuguesas. O diagnóstico não é novo, a apatia que o perpetua também não.

O desconforto chegou às notícias: apanhados em comentários abertamente racistas num grupo de WhatsApp, cinco polícias foram oficialmente sancionados com uma repreensão escrita. A reação dentro da polícia foi de enorme desagrado, com agentes e responsáveis policiais a criticar a leveza da pena decidida pela hierarquia, que alguns consideraram "vergonhosa e repulsiva". Um agente citado na imprensa queixou-se de ouvir comentários racistas de colegas há 26 anos. "Ainda espero que consigamos evoluir, como organização", desabafou.

Esperem lá, isto não foi em Portugal, foi na Holanda. Em Portugal é mais ou menos ao contrário. No início desta semana, o agente da PSP Manuel Morais completou os dez dias de suspensão que lhe foram impostos pelo comandante da Unidade Especial de Polícia e confirmados pelo diretor nacional da PSP, Magina da Silva.

Manuel Morais foi condenado por comentários "inapropriados e contrários à deontologia policial". Diatribes racistas nas redes sociais? Pelo contrário: Manuel Morais, dizem os seus superiores, violou os seus deveres quando, em resposta a publicações no Facebook sobre a decapitação de estátuas, disse ser preciso decapitar o racismo e chamou "aberração" a André Ventura.

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