Eutanásia: Entre a banalização da morte e a ditadura da vida podemos ser moderados?
André Pinção Lucas
14 de fevereiro de 2020

Eutanásia: Entre a banalização da morte e a ditadura da vida podemos ser moderados?

A polarização do debate conduz à irracionalidade na tomada de decisões, onde somos vencidos pela emoção, e ao afastamento da discussão daqueles que deveriam ser os seus principais atores. As experiências de outros países sugerem cautela. Na dúvida, uma não decisão será melhor que uma má decisão.

Os temas fraturantes movem emoções, envolvem convicções ideológicas e religiosas profundas, potenciam extremismos e colocam barreiras de diálogo difíceis de transpor. Já assim foi com a despenalização do aborto e agora sucede-se com o sensível tema da eutanásia. Abordar este tópico de forma leviana ou posicionar num dos extremos implica abdicar de uma importante discussão. Quando se polariza o debate, uns são estereotipados de promover um Estado assassino e os outros de obrigar as pessoas a sofrer. Será um debate na Assembleia da República de duas ou três horas suficiente para discutir este tema? Não, manifestamente não. Se fosse uma questão trivial e óbvia, a eutanásia não seria legal apenas em três países europeus.

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