Os mártires de Alvalade
André Pinção Lucas
06 de março de 2020

Os mártires de Alvalade

O carrossel de treinadores do Sporting tem servido para mascarar o seu principal problema: a fraca liderança. Os treinadores são mártires atraídos por uma mística que outrora morreu e que não será recuperada por um líder inapto.

Há um ano e meio, Frederico Varandas apresentou-se como um grande conhecedor de futebol, a aposta mais segura para suceder a Bruno de Carvalho após o ataque a Alcochete. Vários anos de balneário dar-lhe-iam o suposto conhecimento de futebol e a "estaleca" necessários para enfrentar o difícil momento que o Sporting atravessava. Dizia que para ele o futebol era "fácil".

Cinco treinadores depois, é a vez de Rúben Amorim. Parece evidente que Varandas está enfiado nos cuidados paliativos numa teimosia tremenda a pedir mais medicação para aguentar um pouco mais. O novo treinador é uma dessas medicações, desta vez numa dose mais reforçada (cara!). Não se trata de defender Bruno de Carvalho, ou criticar Frederico Varandas. Não é binário, ao invés do que uma parte significativa dos adeptos quer fazer crer. Não, a incompetência de Varandas não nos deve fazer ter saudades de Bruno de Carvalho. Nem os lamentáveis eventos no final da liderança de Bruno de Carvalho nos devem continuar a desculpar tanto amadorismo do atual presidente leonino.

A principal debilidade de Frederico Varandas não é técnica, é de liderança. É certo que já esteve destacado numa missão militar no Afeganistão, que será, ainda assim, um terreno mais hostil do que lidar com as claques do Sporting. Mas, até agora, o que tem demonstrado é uma profunda fragilidade enquanto líder. Foi incapaz de fortalecer ou apoiar qualquer um dos seus treinadores nos momentos mais delicados. Escondeu-se, não deu a cara, e deixou sempre os treinadores a arder em lume brando. Foi permissivo e influenciável às críticas dos adeptos e da opinião pública a cada um dos treinadores que acabou por dispensar. Comunicou mal, comunicou sempre mal. Perante tamanha incapacidade, não foi capaz de o reconhecer prematuramente e resguardar-se por de trás de um bom responsável de comunicação.

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