Os sete desafios para “Chicão”
André Pinção Lucas
30 de janeiro de 2020

Os sete desafios para “Chicão”

Um ultra conservador, um cristão fanático ou apenas um jovem de direita com vontade de renovar o seu partido cujo espaço ideológico foi ocupado por duas novas forças políticas? Eis os sete desafios à sobrevivência política de ambos: dele próprio e do CDS.

Creio que ainda é cedo para perceber quem é realmente Francisco Rodrigues dos Santos e o que será este "novo" CDS. Uma coisa é certa: o ex-líder da Juventude Popular pretende cortar o cordão umbilical com o Portismo. Paulo Portas foi um dos mais hábeis políticos portugueses. Conseguia jogar em qualquer tabuleiro, onde tanto promovia uma medida conservadora, como depois disseminava opiniões liberais e a seguir ainda dava um salto ao centro para piscar o olho ao eleitorado com várias medidas sociais, ofuscando o espaço ideológico do PS. Com Paulo Portas, o CDS foi de facto um partido popular. Ele conseguiu que as várias fações do partido coexistissem de forma harmoniosa. Foi um partido pragmático, em detrimento da consistência ideológica.

Com Assunção Cristas, o CDS continuou a tentar jogar o mesmo jogo, mas com uma jogadora mais débil e menos versátil. Um programa de centro para Lisboa deu-lhe uma confiança exacerbada, ao qual se seguiu uma campanha Europeia populista desastrosa (ainda hoje nos lembramos daquelas fotos que Nuno Melo levava para os debates a mostrar os velhos amigos de Sócrates, ou do cartaz que dizia "Aproveitar bem o dinheiro da Europa"), e terminou com uma candidatura às legislativas sob um programa economicamente liberal (liderado por Adolfo Mesquita Nunes) que a própria Assunção denotava, por vezes, desconforto e inconsistência ao defendê-lo. Saiu pela porta pequena e aqueles que tanto a apoiaram e estiveram na linha da frente após o histórico resultado para a Câmara de Lisboa foram agora os primeiros a realçar que "eu bem avisei". Contudo, a história mostra que é um exercício inglório juntar "coerência" e "política" na mesma frase, por isso vou deixar esse esforço para outros.

"Chicão" começa agora uma presidência muito difícil. Enumero sete desafios chave para que Francisco Rodrigues dos Santos assegure a sobrevivência do CDS e, por conseguinte, a sua própria sobrevivência política.

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