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Com a guerra a completar quatro anos, o presidente da Ucrânia dirigiu-se aos eurodeputados para agradecer o "apoio constante" e apelar a um consenso entre os Estados-membros para aprovarem o novo empréstimo de 90 mil milhões ao país. Referiu-se a Putin como "a própria guerra" e defendeu o fim do petróleo russo na UE.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou esta terça-feira, no Parlamento Europeu, para os Estados-membros aprovem o novo empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, para satisfazer as necessidades urgentes de financiamento, e para que seja definida uma "data clara" para a adesão do país ao bloco europeu. O apelo surge numa altura em que a invasão russa da Ucrânia completa quatro anos.
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“Putin é a própria guerra”: Zelensky critica Moscovo nos quatro anos desde o início da invasão
Numa intervenção por videoconferência transmitida perante os eurodeputados dos 27 Estados-membros, Volodymyr Zelensky começou por agradecer "o apoio constante" e a "posição firme" da União Europeia (UE) sobre a agressão da Rússia contra a Ucrânia. "Sentimos verdadeiramente que muitos europeus se preocupam com o que vai acontecer à Ucrânia e se seremos capazes de alcançar uma paz fiável e duradoura", afirmou, salientando que é preciso ir mais longe para que a Ucrânia possa continuar a defender a Europa.
Para tal, Volodymyr Zelensky considera que os Estados-membros deve unir-se para aprovar "uma decisão importante que têm em cima da mesa": o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia para os próximos dois anos. "É uma garantia financeira real da nossa segurança e resiliência e deve ser implementada. E agradeço a todos os que estão a trabalhar para que isso aconteça", referiu.
Sem nunca se pronunciar sobre a ameaça da Hungria em bloquear esse empréstimo, o Presidente da Ucrânia deixou uma mensagem ao líder húngaro, Viktor Órban, que quer que Kiev retome o trânsito de petróleo russo para a Hungria. "Cada um entende o que é que enche a carteira de Putin de dinheiro e lhe permite prolongar esta guerra. Por isso, não deve haver lugar no mundo livre para o petróleo russo, para petroleiros russos, bancos russos, sanções russas, esquemas ou para quaisquer criminosos de guerra russos", disse.
"Chegou o momento de proibir totalmente todos os participantes na agressão russa de toda a Europa. Também precisamos de um conjunto de garantias de segurança para a Ucrânia. Impedir que a Rússia espalhe a sua agressão pela Europa e garantir que possamos apoiar qualquer nação europeia caso esta se torne alvo de uma nova guerra russa", afirmou Volodymyr Zelensky.
O Presidente da Ucrânia argumentou ainda que é "importante" que seja definida uma "data clara" para a Ucrânia aderir à UE. Sem essa clareza, considera que a Rússia vai continuar a olhar para a Ucrânia como o alvo e vai manter a ofensiva no terreno.
"Nunca escolhemos esta guerra, não a iniciámos e não a provocámos, e fazemos tudo o que podemos para a parar", disse. O líder ucraniano lembrou que esta não é a primeira vez que a Rússia invadiu parte do seu território, com "um projeto anti-europeu cruel e implacável", mas "é a primeira vez que há uma coligação tão grande a apoiar a Ucrânia". "Esta é uma as conquistas partilhadas de todos os que não tiveram medo a 24 de fevereiro de 2022, e de todos os que hoje não têm medo", disse.
Para Volodymyr Zelensky, hoje é preciso que os países que apoiam a Ucrânia sejam "tão determinados e fortes" como foram quando a guerra começou. "A ameaça não diminuiu. Estamos a travar a Rússia, mas ainda não garantimos a segurança. E só juntos podemos fazer isto juntos na Europa, juntamente com os Estados Unidos", salientou.
Reconhecendo que "não é uma tarefa fácil manter a unidade e cooperação transatlântica nas condições atuais" com Donald Trump na Casa Branca, afirmou estar "grato" por a UE preservar a ligação com os Estados Unidos. "Devemos continuar a aplicar formalmente todas as formas de proteção contra a Rússia, desde sanções severas até apoio real à vida após os ataques russos", defendeu Volodymyr Zelensky.
Frisou que o líder russo, Vladimir Putin, "é ele próprio a guerra". "Qualquer pessoa que apoie Putin não pode deixar de perceber que está a escolher a guerra. Isso era verdade em 1999 e é verdade hoje. Nem sequer finge ser diferente. A Rússia de Putin começou com uma guerra na Chechénia, depois avançou para a Geórgia e desrespeita abertamente a independência de todos os países vizinhos, exceto a China e a Coreia do Norte, porque depende deles", argumentou, acrescentando que a Rússia apoia o Irão e apoiava a Síria de Bashar al-Assad.
Numa entrevista ao Financial Times publicada também esta terça-feira, Volodymyr Zelensky admite que a guerra pode estar "no princípio do fim". As negociações de há uma semana em Genebra sentaram à mesa representantes de Kiev e de Moscovo, medidos pelos Estados Unidos, e foi alcançado um acordo para retomar a troca de prisioneiros. Todavia, segundo o presidente ucraniano, faltam garantias de segurança e um acordo quanto à cedência (ou não) de território. "A Ucrânia precisa de um cessar-fogo – ontem, hoje e amanhã. Não queremos uma pausa. Nós precisamos do fim da guerra", adverte.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estão em Kiev para assinalar a "coragem ucraniana" e o apoio da UE ao país após quatro anos de ofensiva russa. Nas redes sociais, ambos deixaram a mensagem de que a UE não vai desistir "até que a paz seja restaurada" na Ucrânia e que essa paz deve ser alcançada nos termos de Kiev.
Também a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola – que presidiu à sessão plenária extraordinária para assinalar o quarto aniversário da guerra –, referiu que "a história lembrará a valentia e a solidariedade" daqueles que se mantiveram ao lado da Ucrânia. "São quatro anos de coragem inquebrantável, quatro anos de ucranianos mantendo-se firmes sob imensa pressão, quatro anos de uma nação que se recusa a ceder, quatro anos de Europa firme no seu apoio", disse.
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