O chefe de Estado chinês defendeu que os países devem "opor-se conjuntamente ao alargamento excessivo do conceito de segurança nacional no domínio da IA ou à colocação da segurança de um país acima da dos restantes".
O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu esta sexta-feira que a inteligência artificial não deve ser dominada por um único país e apelou ao reforço da cooperação internacional na governação desta tecnologia, na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial.
Justin Chan/AP
Na sessão de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC, na sigla em inglês), em Xangai, Xi afirmou que "o desenvolvimento da IA não deve ser um espetáculo a solo de um único país, mas uma sinfonia de cooperação internacional".
O chefe de Estado chinês acrescentou que os países devem "opor-se conjuntamente ao alargamento excessivo do conceito de segurança nacional no domínio da IA ou à colocação da segurança de um país acima da dos restantes".
As declarações surgem num contexto de crescente competição entre Pequim e Washington pela liderança em inteligência artificial.
Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram restrições à exportação de tecnologias avançadas para a China por motivos de segurança nacional, enquanto empresas chinesas têm reduzido a distância relativamente às congéneres norte-americanas no desenvolvimento de modelos de IA, apostando em soluções de menor custo.
Xi defendeu igualmente a criação de leis e regulamentos, mecanismos de supervisão tecnológica, sistemas de alerta precoce e resposta de emergência para garantir que "a IA permaneça sempre sob controlo humano", reiterando a necessidade de uma abordagem "centrada nas pessoas".
Na véspera, representantes de 29 países, incluindo a Rússia, o Paquistão e a Indonésia, assinaram, também em Xangai, o acordo que cria a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico, na sigla em inglês), um organismo intergovernamental promovido por Pequim para reforçar a cooperação internacional e a governação global da IA.
Com sede em Xangai, a nova organização pretende promover a consulta e a colaboração entre os Estados-membros para assegurar um desenvolvimento "saudável e ordenado" da inteligência artificial.
A conferência, que decorre durante quatro dias, reúne mais de mil empresas chinesas de tecnologia, além de responsáveis políticos, investigadores e representantes da indústria.
Entre os participantes encontram-se o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, e o vice-primeiro-ministro da Tailândia, Anutin Charnvirakul.
Durante o evento serão apresentados cerca de 3.000 produtos ligados à inteligência artificial, incluindo novos sistemas de computação, semicondutores especializados, agentes autónomos de IA e dispositivos móveis equipados com aplicações capazes de executar tarefas sem intervenção humana.
A IA tornou-se um dos pilares da estratégia industrial chinesa, apoiada por fortes investimentos estatais para desenvolver um ecossistema nacional, desde a produção de semicondutores até às aplicações comerciais.
Segundo dados oficiais chineses, o mercado nacional de inteligência artificial atingiu 1,2 biliões de yuan (154 mil milhões de euros) em 2025 e deverá crescer mais de 30% este ano.
A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) indicou que a China liderou o número de pedidos de patentes relacionadas com IA generativa entre 2024 e 2025, com mais de 43.000 registos.
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