A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que a inteligência artificial (IA) deve ser desenvolvida e utilizada com o ser humano no controlo, dados os “riscos cada vez mais evidentes”, que podem colocar em causa a segurança europeia.
Ursula von der Leyen fala no Sommet International sur l'Espace em ParisAurelien Morissard / AP
“A nossa abordagem é clara: queremos IA, queremos que a IA crie mais valor, de forma mais responsável e a um custo mais baixo e com menor consumo de energia, mas, acima de tudo, queremos uma IA com o ser humano no controlo”, disse Ursula von der Leyen.
Intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, ao proferir o segundo discurso do Estado da União do novo mandato, a líder do executivo comunitário argumentou que “a IA está rapidamente a tornar-se uma camada fundamental da economia e da segurança”, devendo servir para “melhorar a qualidade de vida e a produtividade”.
“À medida que os modelos de fronteira se tornam mais avançados, estes riscos tornam-se cada vez mais evidentes”, admitiu, porém, elencando que “os modelos em desenvolvimento permitirão realizar ataques informáticos” a uma escala que nunca se julgou possível e que “os perigos associados a modelos capazes de se autoaperfeiçoarem se tornam cada vez mais evidentes”.
De momento, existe uma discussão ampla sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais poderosos, a inovação tecnológica e a proteção dos cidadãos perante riscos de segurança.
O debate ganhou novo impulso depois de o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, ter defendido publicamente um abrandamento do ritmo de desenvolvimento da IA.
A Anthropic tem estado também sob pressão devido a revelações recentes sobre a utilização dos seus modelos em operações de cibersegurança e outras atividades potencialmente abusivas.
Neste que é o seu sexto discurso sobre o Estado da União e o segundo do novo mandato, Ursula von der Leyen reconheceu: “Se as pessoas que desenvolvem esta tecnologia são claras quanto a isto, nós também devemos sê-lo.”
Na União Europeia, a IA é a regulada pelo primeiro quadro jurídico abrangente do mundo para regular a IA, estabelecendo regras baseadas no nível de risco dos diferentes sistemas e salvaguardas para proteger a saúde, a segurança e os direitos fundamentais.
Frisando que este regulamento é “uma peça fundamental para estabelecer salvaguardas”, Ursula von der Leyen anunciou o reforço da cooperação com parceiros “que partilham a mesma visão”, como o Canadá, o Reino Unido “e outros”.
“Queremos trabalhar em conjunto na avaliação dos modelos, na verificação, nos sistemas de alerta precoce, na segurança da IA e em muitas outras áreas”, adiantou.
A posição surge num momento em que a Comissão Europeia procura reforçar as capacidades próprias da UE em inteligência artificial, incluindo a capacidade de computação e o investimento em empresas e ‘start-ups’ europeias, em setores como saúde, transportes, agroalimentar, indústria transformadora avançada e defesa e espaço.
“Ao limitar os riscos da IA, podemos maximizar os seus benefícios”, adiantou.
Quanto aos riscos associados ao mercado de trabalho, Ursula von der Leyen concluiu que, “da educação ao emprego, a IA deve contribuir para desenvolver competências, melhorar a qualidade dos empregos e garantir aos trabalhadores uma oportunidade justa”.
O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu, na primeira sessão plenária após as férias, na cidade francesa de Estrasburgo, e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte.
Instituído em 2010, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.
Estado da União: Von der Leyen quer tecnologia de IA com o ser humano no controlo
Estrasburgo, França, 16 set 2026 (Lusa) – A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que a inteligência artificial (IA) deve ser desenvolvida e utilizada com o ser humano no controlo, dados os “riscos cada vez mais evidentes”, que podem colocar em causa a segurança europeia.
“A nossa abordagem é clara: queremos IA, queremos que a IA crie mais valor, de forma mais responsável e a um custo mais baixo e com menor consumo de energia, mas, acima de tudo, queremos uma IA com o ser humano no controlo”, disse Ursula von der Leyen.
Intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, ao proferir o segundo discurso do Estado da União do novo mandato, a líder do executivo comunitário argumentou que “a IA está rapidamente a tornar-se uma camada fundamental da economia e da segurança”, devendo servir para “melhorar a qualidade de vida e a produtividade”.
“À medida que os modelos de fronteira se tornam mais avançados, estes riscos tornam-se cada vez mais evidentes”, admitiu, porém, elencando que “os modelos em desenvolvimento permitirão realizar ataques informáticos” a uma escala que nunca se julgou possível e que “os perigos associados a modelos capazes de se autoaperfeiçoarem se tornam cada vez mais evidentes”.
De momento, existe uma discussão ampla sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais poderosos, a inovação tecnológica e a proteção dos cidadãos perante riscos de segurança.
O debate ganhou novo impulso depois de o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, ter defendido publicamente um abrandamento do ritmo de desenvolvimento da IA.
A Anthropic tem estado também sob pressão devido a revelações recentes sobre a utilização dos seus modelos em operações de cibersegurança e outras atividades potencialmente abusivas.
Neste que é o seu sexto discurso sobre o Estado da União e o segundo do novo mandato, Ursula von der Leyen reconheceu: “Se as pessoas que desenvolvem esta tecnologia são claras quanto a isto, nós também devemos sê-lo.”
Na União Europeia, a IA é a regulada pelo primeiro quadro jurídico abrangente do mundo para regular a IA, estabelecendo regras baseadas no nível de risco dos diferentes sistemas e salvaguardas para proteger a saúde, a segurança e os direitos fundamentais.
Frisando que este regulamento é “uma peça fundamental para estabelecer salvaguardas”, Ursula von der Leyen anunciou o reforço da cooperação com parceiros “que partilham a mesma visão”, como o Canadá, o Reino Unido “e outros”.
“Queremos trabalhar em conjunto na avaliação dos modelos, na verificação, nos sistemas de alerta precoce, na segurança da IA e em muitas outras áreas”, adiantou.
A posição surge num momento em que a Comissão Europeia procura reforçar as capacidades próprias da UE em inteligência artificial, incluindo a capacidade de computação e o investimento em empresas e ‘start-ups’ europeias, em setores como saúde, transportes, agroalimentar, indústria transformadora avançada e defesa e espaço.
“Ao limitar os riscos da IA, podemos maximizar os seus benefícios”, adiantou.
Quanto aos riscos associados ao mercado de trabalho, Ursula von der Leyen concluiu que, “da educação ao emprego, a IA deve contribuir para desenvolver competências, melhorar a qualidade dos empregos e garantir aos trabalhadores uma oportunidade justa”.
O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu, na primeira sessão plenária após as férias, na cidade francesa de Estrasburgo, e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte.
Instituído em 2010, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.
Von der Leyen exige tecnologia de IA com o ser humano no controlo
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