Adoção de medidas drásticas em praticamente todas as áreas de atuação abalou as políticas interna e externa norte-americanas.
O primeiro ano do segundo mandato presidencial de Donald Trump foi marcado pela adoção de medidas drásticas em praticamente todas as áreas de atuação, abalando as políticas interna e externa norte-americanas e fraturando alianças de longa data.
Donald Trump, presidente dos EUAdr
Eis alguns pontos essenciais sobre as principais medidas adotadas por Trump - que tomou posse a 20 de janeiro de 2025 - durante o primeiro ano do segundo mandato:
Diplomacia e Conflitos
Apesar de os EUA terem ajudado a fundar a ONU, Trump retirou o país da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou do Conselho de Direitos Humanos logo após tomar posse, no início de 2025.
No arranque de 2026, anunciou a saída de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas - organização à qual também cortou financiamento.
No regresso à Casa Branca e focado na agenda "América em primeiro", Trump abandonou ou cortou o financiamento a acordos multilaterais de saúde, clima e direitos humanos.
Destaca-se o encerramento das atividades da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), afetando dezenas de países que dependiam dessa assistência.
Trump causou choque internacional ao rebatizar o Golfo do México como "Golfo da América", ao prometer assumir o controlo do Canal do Panamá ou ao admitir a possibilidade de recorrer à força militar ou à coerção económica para assumir o controlo da Gronelândia.
Um dos momentos mais marcantes em política externa do segundo mandato ocorreu no terceiro dia deste ano, quando Trump ordenou um ataque em Caracas, capital da Venezuela, detendo o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores.
O casal foi levado para Nova Iorque, onde se encontra detido por crimes ligados ao narcoterrorismo.
Trump apressou-se a tentar normalizar as relações com a Rússia, apesar da guerra contra a Ucrânia ainda em curso, mas a relação com o homólogo russo, Vladimir Putin, mantém-se inconsistente, e ainda não cumpriu a promessa de uma resolução rápida do conflito na Ucrânia.
No Médio Oriente, Trump ordenou ataques aéreos contra três instalações nucleares no Irão e não rejeita, agora, uma nova ação militar contra o regime iraniano face à repressão de protestos que se registam no país.
Entre vitórias diplomáticas, Trump conseguiu que o seu plano de paz para Gaza fosse aceite e colocou-se no comando de um futuro "Conselho da Paz" que supervisionará o enclave palestiniano.
Imigração
Trump prometeu a maior deportação em massa da história norte-american e esse plano tem sido colocado em marcha, com enorme resistência nas ruas.
Desde 20 de janeiro de 2025, as operações do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) resultaram em mais de 605.000 deportações, segundo dados oficiais divulgados no final de dezembro.
O DHS indicou também que 1,9 milhões de imigrantes ilegais saíram do país voluntariamente desde que Trump tomou posse, num total superior a 2,5 milhões de pessoas a deixarem os Estados Unidos.
Além disso, o número de detidos pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) atingiu um novo recorde este mês, ultrapassando os 70 mil pela primeira vez nos 23 anos de história da agência, de acordo com dados internos do DHS obtidos pela rede CBS News.
O Departamento de Estado afirma ter revogado mais de 100 mil vistos desde que Donald Trump retornou ao cargo, incluindo de 8.000 estudantes e 2.500 trabalhadores especializados.
Contudo, apesar da celebração desses números por parte do Governo, por todo o país multiplicam-se os protestos contra a atuação do ICE, especialmente desde a morte da cidadã norte-americana Renee Nicole Good, em 07 de janeiro, baleada por um agente do serviço de imigração em Minneapolis (Minnesota).
Economia
Num ano crucial de eleições intercalares, os norte-americanos têm-se mostrado desiludidos com a gestão da economia pelo Presidente.
Questionados sobre qual é o principal problema do país, os americanos escolheram a economia por uma margem de cerca de dois para um em relação a qualquer outro tópico, segundo uma recente sondagem da rede CNN internacional.
Nas últimas semanas, Trump propôs limitar temporariamente as taxas de juros dos cartões de crédito, revogou as exigências de economia de combustível da era do seu antecessor, Joe Biden, e divulgou uma nova estrutura para o sistema de saúde que exige, entre outros, uma maior transparência de preços por parte das seguradoras.
Além disso, a Casa Branca recebeu boas notícias no relatório de inflação da semana passada, que mostrou que os preços subiram a uma taxa menor do que a esperada em dezembro.
Ao longo do primeiro ano de mandato, Trump exerceu uma enorme pressão por uma redução drástica das taxas de juros, abrindo um confronto direto com o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, que se recusa a ceder.
Justiça
Vários especialistas em Direito Constitucional consideraram que Trump abriu o seu segundo mandato com um "ataque sem precedentes" ao sistema judicial do país, colocando em risco o Estado de Direito.
Os tribunais federais estão a julgar várias judiciais contra as medidas do Presidente, muitas delas relacionadas com a imigração.
Desde que as políticas de Trump começaram a enfrentar barreiras legais, os assessores e apoiantes do Presidente entraram numa cruzada contra juízes e escritórios de advogados, questionando diariamente a legitimidade do sistema judicial norte-americano.
O Presidente ameaçou também tomar medidas contra advogados e equipas jurídicas que apresentem ações judiciais contra as medidas migratórias do Governo, resultando num clima de intimidação.
Além dos ataques ao sistema judicial, Trump chegou a fomentar rumores de uma possível candidatura a um terceiro mandato presidencial, o que seria uma violação da Constituição, que prevê um máximo de dois.
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