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Serviço militar obrigatório e rearmamento: Conheça Gotland, a ilha sueca que se prepara para uma invasão russa

A ilha localiza-se no Mar Báltico, uma posição estratégica para a Rússia chegar aos países da NATO.

Depois de anos de desmilitarização, a ilha sueca Gotland está a reforçar novamente a capacidade militar por temer uma invasão russa. Localizada no Mar Báltico, está situada num ponto estratégico, a partir do qual a Rússia poderia controlar os países da NATO. Por prevenção, a ilha instituiu serviço militar obrigatório, investiu em armamento e aposta na autossuficiência.  

Exercícios militares em Gotland
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026
Exercícios militares em Gotland
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026
Exercícios militares em Gotland, em maio de 2026

O diretor-geral da agência sueca de defesa civil e resiliência (MCF, na sigla em inglês), Mikael Frisell, afirmou, citado pelo The Guardian: "Estamos a viver uma situação mundial muito grave e percebemos que, no Mar Báltico, estamos muito próximos da Rússia e que ocorrem incidentes tanto na superfície como em águas profundas." 

De modo a assegurar a “defesa total” de Gotland, Frisell avançou que são necessárias uma “presença militar e uma defesa civil fortes, robustas e resilientes. Isso contribuirá para a defesa coletiva da NATO nesta região.” 

Gotland fica a 275 quilómetros de Kaliningrado, território russo altamente militarizado entre a Lituânia e a Polónia. O controlo da ilha daria à Rússia acesso a operações marítimas e aéreas na região. A invasão russa da Ucrânia, em 2022, e consequente tensão na Europa, acelerou a ilha a investir na capacidade de defesa.  

Gotland fica a 275 quilómetros de Kaliningrado, território russo

Os planos de defesa da Suécia para 2025-2030 incluem a possibilidade de um ataque surpresa da Rússia, seja por via aérea ou marítima. A defesa da ilha é importante, por isso, tanto para a Suécia como para a NATO. O país já aumentou o investimento na defesa para 2,8% do PIB em 2026 e prevê um investimento de 3,1% a partir de 2028.  

A ilha já tinha sido desmilitarizada e, desde 2005, passou de 25 mil soldados em quatro regimentos para um batalhão reduzido da Guarda Nacional. Em 2018, a base P18, na cidade de Visby, foi restabelecida e, desde então, tem sido reforçada a uma velocidade sem precedentes, acelerada pela invasão da Ucrânia. É nessa base que centenas de jovens cumprem agora serviço militar obrigatório de 15 meses. Desde a adesão da Suécia à NATO, em 2024, a ilha tornou-se num espaço para treinos militares da aliança.   

Surgem também planos dirigidos à população, que incluem inventários dos recursos disponíveis em cada vizinhança, como água, eletricidade e comunicações. Outra das preocupações diz respeito ao abastecimento da ilha com bens essenciais, em caso de ataque, motivo pelo qual os civis tentam tornar-se cada vez mais autossuficientes. Preparam-se também para lidar com vítimas em massa, gerir munições não detonadas e realizar buscas em edifícios destruídos. 

Ainda este ano, Gotland quer fazer um simulacro de evacuação de emergência dirigida a várias centenas de pessoas, que terão de se deslocar de uma ilha para outra.  

Embora não exista, de momento, uma ameaça real, Gotland está determinada a defender o território em caso de ataque, com um grupo de combate de cerca de 4.500 militares. Em declarações ao The Guardian, o Coronel Andreas Gustafsson, comandante do exército sueco em Gotland, afirmou: “Defenderíamos Gotland e faríamos tudo o que estivesse ao nosso alcance para impedir que a Rússia estabelecesse uma posição.” O coronel espera, ainda assim, que a militarização da ilha sirva como fator dissuasor suficiente.  

Com Diogo Barreto

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