Um requerente de asilo de 30 anos, originário do Sudão, é acusado de tentativa de homicídio devido ao esfaqueamento. Políticos locais já pediram que a calma seja mantida.
Protestos contra a imigração assolaram a Irlanda do Norte depois de ativistas de extrema-direita terem convocado manifestações em resposta a um ataque com faca registado num vídeo que se tornou viral no país.
PA via AP
Na noite de terça-feira centenas de homens mascarados incendiaram veículos e casas e bloquearam estradas na capital da Irlanda do Norte horas de pessoas de Elon Musk e o ativista britânico anti-imigração Tommy Robinson terem incitado as pessoas a saírem à rua.
Os distúrbios começaram horas depois de a polícia acusar um requerente de asilo de 30 anos, originário do Sudão, de tentativa de homicídio devido a um esfaqueamento na noite de segunda-feira no norte de Belfast, que deixou um homem gravemente ferido. O suspeito será presente ao tribunal esta quarta-feira.
Ryan Henderson, chefe de polícia adjunto, já apelou à calma: “Focos esporádicos de distúrbios ocorreram em vários locais da Irlanda do Norte esta noite, incluindo incidentes em que vários veículos foram incendiados. Pedimos a todos que mantenham a calma, ajam com responsabilidade e evitem qualquer atividade que possa colocar a si mesmos ou a outros em risco”.
O responsável pediu ainda que “todas as vozes influentes” dentro das comunidades locais incentivassem protestos pacíficos e desencorajassem a violência ou a desordem. Durante a noite grupos de homens – muitos com balaclavas ou outros tipos de cobertura facial – atiraram fogos de artifício e atearam fogo em lixeiras, autocarros e casas. Num dos ataques um grupo invadiu uma casa perto da Shankill Road que acreditava ser habitada por uma família de origem étnica minoritária e garantiu que estava a “libertar” a casa, uma loja de produtos africanos foi incendiada na mesma zona.
Também a primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, condenou a violência e alertou para “tentativas perigosas de explorar” o ataque. Nas redes sociais defendeu que “grupos de homens encapuzados a incendiar casas de famílias é nada menos do que um ato de cobardia repugnante”: “Isto não tem nada a ver com comunidade. Isso é puro vandalismo”.
Anteriormente a líder da Irlanda do Norte já tinha pedido à população que não se deixasse persuadir por contas de redes sociais a causar desordem. “Todas as pessoas que estão a fomentar tensões nas redes sociais, que se sentem à vontade para aumentar a tensão, não nos representam. Somos boas pessoas e não quero ver ninguém a viver com medo”, defendeu.
A ministra da justiça Naomi Long acusou os manifestantes de estarem “empenhados em causar destruição nas mesmas comunidades que alegam estar a tentar proteger”.
O esfaqueamento que desencadeou estas manifestações ocorreu por volta das 22h30 de segunda-feira, em frente a um prédio no norte de Belfast. Um vídeo partilhado nas redes sociais mostra um homem a imobilizar outro no chão e a dar-lhe uma facada na cabeça e outra no pescoço, a polícia informou que a vítima sofreu ferimentos graves nos olhos, rosto e costas. Mais tarde uma faca de cozinha foi encontrada no local.
O suspeito - agora acusado de tentativa de homicídio, porte de objeto cortante em local público e ameaças de morte – solicitou asilo em fevereiro de 2023. Jon Boutcher, chefe de polícia da Irlanda do Norte, explicou numa conferência de imprensa que o suspeito recebeu permissão para permanecer no Reino Unido a 28 de setembro de 2023: “Fui informado de que ele viajou do Sudão para Paris em datas desconhecidas e, de Paris, voou para Dublin em data ainda a ser determinada”.
“Não há nenhum registo desse suspeito nos nossos bancos de dados de segurança nacional, e ele não era conhecido pelo Serviço Policial da Irlanda do Norte. Entrei em contanto direto com o chefe da polícia antiterrorismo do Reino Unido. Neste momento, não temos informações que sugiram que esteja relacionado a terrorismo”, referiu ainda.
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