Autoria do documento de 28 pontos apresentado por Donald Trump gera dúvidas.
Um jornalista do 'The Guardian' alvitrou a hipótese de o plano de paz em 28 pontos que Donald Tramp propôs para a Ucrânia ter sido 'desenhado' pela Rússia - com base numa análise da tradução do texto para inglês a partir do cirílico - e agora uma nova polémica surge nos Estados Unidos, com alguns senadores a garantirem ter ouvido da boca de Marco Rubio que o documento teria sido mesmo forjado no Kremlin e que seria "uma lista de desejos" do governo de Vladimir Putin. O secretário de Estado, entretanto, já veio a público desmentir estas afirmações.
Marco Rubio é secretário de Estado e conselheiro de Trump AP
O plano é muito favorável à Rússia e para muitos significa a capitulação da Ucrânia. Pressupõe, por exemplo, a cedência dos territórios da Crimeia, Luhansk e Donetsk, a obrigatoriedade de o exército ucraniano não dispor de mais de 600 mil militares, de o país se comprometer não aderir à NATO, entre outros pontos. Trump deu até ao dia 27 (quinta-feira, dia de Ação de Graças) como data limite para Volodymyr Zelensky aceitar o documento, sob pena de cortar futuras entregas de armas e assistência de inteligência à Ucrânia.
"Esta administração não foi responsável pelo lançamento deste documento na sua forma atual”, assegurou o senador republicano Mike Rounds, da Dakota do Sul, que terá falado com Marco Rubio. "Eles querem utilizá-lo como ponto de partida. Parecia mais que estava escrito em russo desde o início."
O senador independente do Maine, Angus King, revelou por sua vez que Rubio lhe teria confidenciado que este "não era um plano do governo", mas sim "uma lista de desejos dos russos".
Rubio, que além de secretário de Estado é também conselheiro de segurança nacional, deverá participar numa reunião em Genebra este domingo para discutir a proposta de Washington, integrando uma delegação americana. E já fez questão de desmentir os senadores, nas redes sociais. “A proposta de paz foi elaborada pelos Estados Unidos. É oferecida como uma estrutura sólida para as negociações em andamento. Baseia-se em contribuições da Rússia. Mas também se baseia em contribuições anteriores e atuais da Ucrânia”, escreveu Rubio no 'X'.
Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado, garantiu, por sua vez, que o relato dos senadores é "flagrantemente falso".
Recorde-se que o representante da Ucrânia na ONU rejeitou o acordo e Zelensky, numa mensagem ao país, falou numa "decisão difícil": "A Ucrânia poderá enfrentar uma decisão muito difícil: perder a sua dignidade, correr o risco de perder um parceiro fundamental, aceitar 28 pontos difíceis ou enfrentar um inverno extremamente rigoroso, o mais rigoroso de todos".
O chanceler alemão, Friedrich Merz, opôs-se ao plano e Kakha Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, fala num "plano europeu", bem distinto do de Trump: "Tem dois pontos: primeiro, enfraquecer a Rússia; segundo, apoiar a Ucrânia."
No âmbito das reuniões do G20, os líderes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, bem como o chanceler alemão, os presidentes de França e Finlândia e os primeiros-ministros de Reino Unido, Itália, Espanha, Países Baixos, Irlanda, Noruega, Canadá e Japão emitiram um comunicado considerando, por seu turno, que o plano de paz dos Estados Unidos "requer trabalho adicional", pois da forma como está 'desenhado' deixaria a Ucrânia vulnerável a futuros ataques.
The peace proposal was authored by the U.S.
It is offered as a strong framework for ongoing negotiations
It is based on input from the Russian side. But it is also based on previous and ongoing input from Ukraine. https://t.co/JWbAQ04kcw
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