O Partido Social-Democrata teve o seu pior resultado desde 1903, ocupando agora 38 dos 179 assentos parlamentares.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, entregou esta quarta-feira a renúncia ao rei depois de as eleições legislativas de terça-feira terem mostrado uma perda de popularidade dos sociais-democratas, partido que lidera.
Mette Frederiksen fala após as eleições dinamarquesasMads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix vía AP
O Partido Social-Democrata teve o seu pior resultado desde 1903, ocupando agora 38 dos 179 assentos parlamentares, enquanto que nas últimas eleições tinha conseguido conquistar 50.
Depois de Mette Frederiksen ter convocado eleições antecipadas, no que pareceu ser uma tentativa de capitalizar o apoio público que recebeu durante as ameaças de Trump de anexar a Gronelândia, vários analistas referem agora que o resultado foi uma revolta dos eleitores contra as promessas económicas não cumpridas e que as questões internas acabaram por ofuscar o apoio obtido pela forma como defendeu a soberania nacional.
As eleições refletiram ainda a tendência internacional do eleitorado de se afastar dos partidos centristas, optando por alternativas de direita anti-imigração ou mais à esquerda. Os partidos nacionalistas de direita aumentaram a sua participação, tendo agora 17% dos votos, o Partido Popular Dinamarquês - anti-imigração - e o Partido Verde – de esquerda - também registaram um aumento.
Ainda assim, os sociais-democratas venceram as eleições, com 21,9% dos votos, o que significa que Frederiksen continua a ser uma das principais caras para assumir o cargo de primeira-ministra. Agora advinham-se longas negociações para estabelecer uma coligação que tenha a capacidade de governar, toda a esquerda - na qual os sociais-democratas se incluem - conseguiu 84 assentos enquanto a direita ficou-se pelos 77, o que significa que nenhum dos lados consegue os 90 deputados necessários para obter uma maioria.
Esta tarde os líderes partidários vão reunir individualmente com o rei para sugerir um nome do primeiro deputado que deve ser responsável por tentar formar um governo. Já no debate desta manhã, Frederiksen reconheceu o cenário eleitoral fragmentado, afirmando que o resultado descartava a possibilidade de formar um governo tradicional de direita ou de esquerda: "Precisamos de cooperar. Essa é a mensagem aqui".
Desde 2022 que Frederiksen lidera uma grande coligação entre os Social-Democratas, o Partido Liberal (de centro-direita) e os Moderados. O líder do Partido Liberal, do ministro da Defesa Troels Lund Poulsen, afirmou que já não tem interesse em governar em coligação com os sociais-democratas.
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