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Presidente da câmara de Atenas quer travar turismo “descontrolado” e recuperar cidade para moradores

Gabriela Ângelo
Gabriela Ângelo 25 de abril de 2026 às 19:57
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Para fazer face ao aumento de turistas, Haris Doukas anunciou que iria utilizar um projeto de lei sobre ordenamento turístico para propor a proibição total de nova atividade empresarial no centro histórico da cidade. Levantou ainda a possibilidade de congelar licenças de construção de novos hotéis.

No ano passado, mais de oito milhões de pessoas visitaram Atenas, um recorde para a capital grega que, até há pouco tempo, era vista apenas como uma paragem antes de viagens até às ilhas paradisíacas como Mikonos, Creta ou Corfu. Só os alojamentos no bairro de Plaka, por baixo da Acrópole, duplicaram desde 2018, segundo um estudo citado pelo jornal britânico .

Vista da Acrópole de Atenas
Vista da Acrópole de Atenas AP

Este aumento de turistas fez com que Haris Doukas, o presidente da câmara de Atenas, quisesse recuperar o centro da cidade para os cidadãos. Acredita que bairros inteiros correm o risco de perder a sua autenticidade devido ao desenvolvimento turístico que considera “descontrolado”. 

“Atenas não pode funcionar como se fosse um hotel gigante”, afirmou à publicação. “São necessárias restrições e regras, as cidades também devem ter uma palavra a dizer na forma como se desenvolvem”, acredita. 

Doukas assumiu o cargo em 2024, após uma vitória com o apoio do principal partido da oposição, o Pasok, e com a promessa de “tornar mais verde” o que é visto como a capital mais quente do continente. Estima-se que desde então tenham sido plantadas cerca de 3.855 árvores. 

Mas à medida que o apelo por Atenas cresceu, o autarca viu-se confrontado com o aumento de rendas que expulsaram os residentes locais, além de infraestruturas sobrecarregadas. “Toda Atenas está a ser escavada para conseguirmos dar resposta, quando se tem cerca de 700 mil residentes e oito milhões de visitantes, a pressão é enorme”, afirmou Doukas. 

Para fazer face a essa pressão, esta semana anunciou que iria utilizar um projeto de lei sobre ordenamento turístico, atualmente em debate, para propor a proibição total de nova atividade empresarial no centro histórico da cidade. 

“Vamos parar todo o investimento turístico em Plaka, não há mais espaço, nem para alojamento local, nem para hotéis ou qualquer outro uso turístico”, garantiu à publicação inglesa. “A zona está sobrecarregada, queremos dizer ‘basta’ num diploma que ficará consagrado na lei”, acrescentou, afirmando que os investidores deverão procurar outras áreas “menos congestionadas” da capital. 

Levantou ainda a possibilidade de congelar licenças de construção de novos hotéis e recebeu apoio de uma associação de hoteleiros grega, Evgenios Vassilikos, citando o exemplo de Barcelona, que não emite licenças para novos hotéis desde 2017. 

Foi também encorajado por Jaume Collboni, o seu homólogo de Barcelona, que recentemente anunciou uma proibição total de alojamento local a partir de 2028, quando serão revogadas as licenças de mais de 10 mil apartamentos. Atenas e Barcelona estão entre 15 cidades cujos presidentes de câmara aderiram a um plano europeu de ação que pede à UE medidas para enfrentar a crise na habitação. 

“Enquanto outras cidades caminham para o betão e arranha-céus, seguimos numa direção completamente diferente, incluindo a demolição de edifícios para criar espaço público para parques e parques infantis”, afirmou, concluindo que “Atenas é para os seus habitantes, não para quem a quer explorar”. 

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