Reunião decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA.
A cimeira da NATO arranca esta terça-feira em Ancara, capital da Turquia, com foco no reforço do investimento em Defesa, nomeadamente dos aliados europeus face a um recuo dos Estados Unidos (EUA), e no apoio à Ucrânia.
Cimeira da NATO em Ancara AP
De acordo com a agenda oficial da cimeira de chefes de Estado e de Governo dos 32 Estados-membros da Aliança Atlântica, que vai decorrer até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, vão ser discutidos três assuntos: o investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia.
A reunião decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA, com a administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de tropas do território europeu, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na defesa do chamado “velho continente”.
Além disto, o último ano foi marcado por críticas de Trump a alguns países da NATO como Espanha, Reino Unido ou Itália, por terem recusado a utilização pelos EUA de bases militares para operações militares contra o Irão, bem como ameaças do Presidente norte-americano de recorrer à força militar para anexar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.
Já na cimeira do ano passado, em Haia, Países Baixos, Trump pressionou os países europeus a reforçar o seu investimento em Defesa, tendo sido acordado que até 2035 os aliados deverão atingir a meta dos 5% do Produto Interno Bruno (PIB): 3,5% para gastos com Forças Armadas, equipamento e treino; e 1,5% em investimentos como infraestruturas e indústria.
Numa tentativa de evitar que Trump volte a ameaçar abandonar a Aliança, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, tem argumentado que a Europa e o Canadá aumentaram significativamente as suas despesas militares e estão a cumprir com o compromisso assumido, que deverá sair reforçado de Ancara.
Portugal, que será representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e os ministros dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e da Defesa, Nuno Melo, atingiu em 2025 pela primeira vez a meta dos 2% do PIB em Defesa e aumentou em 1,6 mil milhões de euros o investimento nesta área desde a cimeira de Haia.
Apesar da postura de avanços e recuos de Donald Trump quanto ao conflito na Ucrânia, a cimeira deverá também reafirmar o apoio da NATO a Kiev, a nível militar, económico, financeiro ou energético, estando previsto que o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, participe no jantar que será oferecido hoje pelo Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
Estão previstas declarações de abertura do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, no Fórum da Indústria de Defesa da Aliança, evento que decorre em simultâneo com a cimeira, e novamente à tarde, após um encontro com Zelensky.
Este fórum irá reunir governantes, empresas e ‘start-ups’, incluindo portuguesas, que desenvolvem produtos em áreas que vão da Inteligência Artificial ao ciberespaço, passando por drones ou mísseis.
A declaração final que sairá desta cimeira deverá também incluir uma breve referência à guerra no Irão, com um parágrafo no qual se sublinhará que Teerão não pode dispor de armas nucleares e será defendida a importância da liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
A cimeira decorre na Turquia, país que aderiu à NATO em 1952, quatro anos após a sua fundação, e que tem ganho um lugar de destaque no setor da Defesa europeu, designadamente através da produção dos drones Bayraktar.
A polícia turca deteve no domingo passado dezenas de ativistas de partidos da oposição e de organizações de esquerda críticos da NATO, no âmbito das medidas rigorosas de segurança que antecederam esta cimeira.
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