Isabel dos Santos e o marido podem negociar com Angola em processos cíveis

Lusa 02 de julho de 2020
Sábado
Leia a revista
Em versão ePaper
Ler agora
Edição de 9 a 15 de junho
As mais lidas

A empresária angolana e Sindika Dokolo podem vir a fazer acordos nos processos em que o Estado angolano reclama mais de 4,4 mil milhões de euros.

 Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo, podem negociar com as autoridades angolanas no âmbito dos processos cíveis em que são visados na fase de conciliação, afirmou hoje à Lusa uma fonte da Procuradoria-Geral da República de Angola.

sindika dokolo, isabel dos santos
sindika dokolo, isabel dos santos Cofina Media

"Os processos cíveis têm uma fase de conciliação onde as partes podem negociar ou transacionar se chegarem a um entendimento", sublinhou o responsável da PGR angolana.

O Estado angolano reclama mais de 5 mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros) nos processos cíveis em que o casal, cujas contas e participações sociais em Angola foram alvo de arresto em dezembro, é visado.

Numa entrevista à radio angolana MFM, o marido de Isabel dos Santos, o empresário congolês Sindika Dokolo, disse ser "do interesse de todos encontrar-se uma saída o mais rapidamente possível", mostrando estar disponível para negociar com as autoridades angolanas.

Segundo a fonte da PGR, só na fase de conciliação poderá ser conduzida uma negociação para que as partes cheguem a um entendimento.

Por enquanto, a defesa do casal "continua a pleitear" e avançou com embargos "para tentar desfazer o arresto", que foram indeferidos, adiantou a mesma fonte, sublinhando que a tática de Isabel dos Santos e Sindika Dokolo tem sido "atirarem-se contra os órgãos judiciais de Portugal e Angola".

Esta segunda-feira, a empresária, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, fez chegar às redações um comunicado queixando-se de lhe estar a ser negada justiça nos tribunais de Angola e Portugal e de não lhe ser permitida uma audiência em tribunal para poder provar a sua inocência.

Isabel dos Santos contesta a rejeição do embargo e alega que as acusações de que é alvo se baseiam em provas falsas e emails fabricados.

"Os tribunais angolanos deturparam os factos, manipularam o processo judicial e as autoridades portuguesas", criticou.

Os representantes de Isabel dos Santos acusam a juíza Henrizilda de Nascimento, titular do processo cível que corre no Tribunal Provincial de Luanda, de manipular os prazos e negar sumariamente o embargo, alegando que foi apresentado fora do prazo legal, o que a defesa contesta.

O Tribunal Provincial de Luanda decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, o congolês Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, em dezembro de 2019.

Foram também alvo de arresto nove empresas nas quais a empresária detém participações sociais, entre as quais a cervejeira Sodiba, a Condis, detentora da rede de hipermercados Candando, a operadora de televisão Zap Media e a cimenteira Cimangola.

Em janeiro, o Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação revelou também mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de 'Luanda Leaks', que detalham alegados esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.

 

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana
Artigos Relacionados
Investigação
Opinião Ver mais