Sábado – Pense por si

Escolha a Sábado como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Irão diz que afirmações de Trump sobre programa nuclear de Teerão são "grandes mentiras"

Lusa 25 de fevereiro de 2026 às 09:37
As mais lidas

Irão comparou as declarações dos Estados Unidos e de Israel com a máxima do ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Joseph Goebbels, de que, se uma mentira for repetida muitas vezes, torna-se verdade.

Teerão classificou esta quarta-feira como "grandes mentiras" as afirmações dos EUA sobre o programa nuclear iraniano, depois de o Presidente Donald Trump afirmar, no discurso sobre o Estado da União, que a República Islâmica não renuncia à arma atómica.

Bases nucleares Irão
Bases nucleares Irão Planet Labs PBC

"Qualquer alegação sobre o programa nuclear iraniano, seus mísseis balísticos e o número de vítimas durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de 'grandes mentiras'", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano Ismail Bagaei.

O diplomata comparou as declarações dos Estados Unidos e de Israel sobre o programa nuclear iraniano com a máxima do ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Joseph Goebbels, de que, se uma mentira for repetida muitas vezes, torna-se verdade.

"Esta lei é utilizada sistematicamente pelo Governo dos Estados Unidos e pelos especuladores da guerra que rodeiam os EUA, em particular o regime genocida israelita, para impulsionar a sua sinistra campanha de desinformação contra a nação iraniana", afirmou Bagaei.

"Ninguém deve deixar enganar-se por essas falsidades proeminentes", continuou o diplomata iraniano, que escreveu a mensagem em persa, inglês, francês, espanhol e árabe, algo pouco habitual.

Bagaei não mencionou diretamente Trump, mas a mensagem surge depois do Presidente dos Estados Unidos ter afirmado na terça-feira que o Irão "continua a perseguir as suas sinistras ambições" de desenvolver uma arma nuclear, afirmando que nunca o permitirá.

"Eles foram avisados para não tentarem reconstruir o seu programa de armas, em particular as nucleares. No entanto, continuam a começar do zero", afirmou Donald Trump no discurso sobre o Estado da União.

O dirigente dos Estados Unidos invocou a operação 'Midnight Hammer', quando, em 22 de junho de 2025, atacou as instalações nucleares de Fordow, Natanz e Isfahan, para lembrar que os Estados Unidos já atuaram contra o programa iraniano.

Atualmente, os Estados Unidos concentram no Médio Oriente, em particular, no Golfo Pérsico, a maior presença de forças desde 2003, incluindo dois grupos de porta-aviões - USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, o maior dos porta-aviões norte-americanos, vários contratorpedeiros e dezenas de caças de combate - e milhares de tropas. O trânsito da força aérea dos Estados Unidos pela Base das Lages, nos Açores, registou igualmente níveis históricos nos últimos dias.

A República Islâmica afirma há décadas que o programa nuclear tem fins pacíficos e não procura desenvolver uma arma nuclear, e, na terça-feira à noite, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abás Araqchí, insistiu neste ponto.

"As nossas convicções fundamentais são muito claras: o Irão não desenvolverá, em circunstância alguma, armas nucleares, nem os iranianos renunciarão jamais ao direito de aproveitar os benefícios da tecnologia nuclear pacífica para o nosso povo", disse Araqchí na rede social X .

O ministro dos Negócios Estrangeiros e chefe da delegação iraniana afirmou que irá à ronda de negociações com os Estados Unidos, na quinta-feira em Genebra, "com a determinação de chegar a um acordo justo e equitativo no menor tempo possível".

Trump tem repetido ameaças contínuas contra a República Islâmica, caso não seja alcançado um consenso e, na segunda-feira, afirmou que "será um mau dia para o país [Irão] e, infelizmente, para o seu povo" se não fecharem um acordo.

O Irão, por sua vez, advertiu que, se for atacado, responderá com dureza e o conflito espalhar-se-á pela região.

Artigos Relacionados