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Extrema-direita alemã funda nova organização jovem em dia marcado por protestos

Lusa 08:16
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A cidade de Giessen, perto de Frankfurt, acolheu o congresso marcado pela forte presença policial e manifestações que deixaram alguns feridos.

A Alternativa para a Alemanha (AfD) formou no sábado a nova ala jovem do partido de extrema-direita, batizada de Geração Alemanha, num momento acompanhado por protestos com milhares de participantes.

Alternativa para a Alemanha (AfD) formou a nova ala jovem do partido de extrema-direita
Alternativa para a Alemanha (AfD) formou a nova ala jovem do partido de extrema-direita AP

A cidade de Giessen, perto de Frankfurt, acolheu o congresso da formação da ala jovem da AfD, num ambiente tenso, marcado pela forte presença policial e manifestações que deixaram algumas imagens violentas.

De acordo com a agência Efe, que cita fontes policiais num primeiro balanço, várias pessoas foram detidas e dez agentes ficaram feridos em confrontos com os manifestantes.

Os protestos, que incluíram tentativas de impedir a circulação rodoviária na cidade, obrigaram a AfD a iniciar o congresso com duas horas e um quarto de atraso.

Estas ações de protesto não impediram a fundação da nova organização juvenil da AfD - após a dissolução da antecessora, a Alternativa Jovem, e a eleição do novo presidente, Jean-Pascal Hohm, um deputado regional da AfD de Brandenburg, de 28 anos, que foi eleito líder da nova organização com 90,43% dos votos dos delegados.

Apesar do atraso no início do congresso, os delegados tomaram todas as decisões no sábado, para as quais tinham sido inicialmente previstos dois dias, pelo que a organização prescindiu do segundo dia, disseram fontes da AfD à Efe.

No discurso de apresentação, antes de ser eleito líder das camadas jovens do partido de extrema-direita, Hohm defendeu a AfD, acusada pelo atual Governo do chanceler Friedrich Merz de ser um partido que defende os interesses da Rússia na Alemanha.

“Podem ter posições diferentes, mas quero ser claro: nem Alice Weidel, nem Tino Chrupalla, nem ninguém é escravo da Rússia ou de qualquer outro país”, afirmou.

“Somos patriotas alemães e a primeira coisa que perguntamos é quais são os interesses da Alemanha e dos nossos cidadãos”, acrescentou, sob os aplausos dos presentes, que incluíam Weidel e Chrupalla, da AfD.

Em intervenções, Weidel e Chrupalla aludiram às manifestações de protesto contra a fundação da nova organização juvenil alemã.

“Há algo de errado neste país e é por isso que é importante fundar a Geração Alemanha, a geração boa, aqui e hoje”, disse Chrupalla.

Weidel defendeu que a nova organização juvenil veja a luz do dia para que os atuais jovens do partido possam tornar-se a futura geração da formação política.

A co-líder da AfD também denunciou o ataque a Julian Schmidt, um deputado de 35 anos, quando se dirigia para o salão em Giessen, onde se realizou o evento.

A edição 'online' do semanário Focus divulgou partes de um vídeo em que Schmidt, de 35 anos, deputado pelo círculo eleitoral de Marburg (oeste), terá sido confrontado por um grupo de pessoas com a cara tapada.

Esta foi uma das imagens violentas de um dia marcado por manifestações anti-AfD, na maioria sem incidentes.

A maior destas manifestações, em que participou a federação dos sindicatos alemães (DGB), reuniu 20 mil pessoas, de acordo com o jornal Bild.

No primeiro balanço, a polícia contabilizou um total de 25.000 a 30.000 pessoas nas ruas de Giessen.

Estes protestos, disse à Efe o investigador da Universidade de Konstanz Kilian Hempe, servem para mostrar que “a sociedade civil é mais numerosa do que o extremismo de direita”, mas também permitem à AfD “fazer-se de vítima”.

No início deste ano, o partido foi forçado a dissolver a Alternativa Jovem, que foi ameaçada de proibição após ter sido acusada de promover ideias xenófobas e de vários escândalos, desde cânticos racistas à organização de treino paramilitar.