Presidente do conselho de administração da E-Redes afirma que o 'blackout' de 28 de abril teve origem a montante, sublinha ativação imediata dos planos de crise e garante que 95% dos clientes tinham eletricidade no final do próprio dia.
O apagão, que
afetou Portugal a 28 de abril, teve origem numa falha no
abastecimento da rede de transporte à rede de distribuição e não num problema
na infraestrutura da E-Redes, afirmou José Ferrari Careto, presidente do
conselho de administração da empresa distribuidora de energia elétrica em
Portugal continental.
Durante uma
audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do grupo de trabalho
criado para analisar o incidente, a distribuidora detetou às 11h33 a perda
total de alimentação proveniente da rede de transporte, o que levou à
interrupção generalizada do fornecimento de eletricidade a cerca de 6,5 milhões
de clientes.
“Quando não há energia a montante, a qualidade
da rede de distribuição deixa de ser relevante”, afirmou aos deputados, sublinhando que a E-Redes
ficou impossibilitada de abastecer os consumidores enquanto não voltou a
existir energia disponível no sistema.
Perante a falha,
a empresa ativou de imediato o Plano Operacional de Atuação em Crise, um
mecanismo usado regularmente em situações extremas, como tempestades severas ou
grandes incêndios, e iniciou a articulação com a REN e com as autoridades de
proteção civil.
Ferrari Careto
explicou que a reposição do serviço teve de ser feita de forma gradual, em
função da energia libertada pela rede de transporte, uma vez que produção e
consumo têm de estar permanentemente equilibrados. A empresa mobilizou cerca de
600 técnicos no terreno e recorreu extensivamente ao telecomando de
subestações, suportado pela sua rede própria de fibra ótica, evitando
deslocações físicas a centenas de instalações.
Ao final do dia, já 95% dos clientes já tinham eletricidade, apontou Ferrari Careto, tendo o restabelecimento total ocorrido por volta das
3h00 da madrugada seguinte. O responsável rejeitou a ideia de que o país tenha
estado 36 horas sem eletricidade, considerando que, à escala e complexidade do
sistema, a recuperação foi rápida.
Na audição, o
presidente da E-Redes defendeu ainda que o plano de investimento na rede de
distribuição, associado à transição energética, à integração de renováveis e ao
crescimento da mobilidade elétrica, não deve ser confundido com o apagão.
Portugal dispõe atualmente de cerca de 240 mil quilómetros de rede de
distribuição e tem 100% dos pontos de consumo equipados com contadores
inteligentes desde novembro de 2024, um nível de digitalização pouco comum na
Europa, concluiu.
O apagão que deixou Portugal e Espanha às escuras a 28 de abril foi classificado por peritos da Rede Europeia de Operadores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) como o mais severo registado na Europa nas últimas duas décadas, sendo descrito como um evento raro, provocado por uma cascata de sobretensões que se propagou rapidamente pela Península Ibérica, deixando sem eletricidade Portugal e Espanha durante grande parte do dia e levando ao colapso das comunicações e à interrupção de serviços
essenciais como transportes ou pagamentos.
Entre as
medidas, está a duplicação das centrais a prestar o serviço de arranque
autónomo do sistema (blackstart), somando as centrais de Baixo Sabor e do
Alqueva às da Tapada do Outeiro e de Castelo de Bode e o lançamento de um leilão de 750 megavolt-ampere (MVA) de sistema com base em armazenamento de baterias.
E-Redes afasta falha na distribuição no apagão. Reposição condicionada pela REN
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