Coronavírus: as lições que podemos retirar da gripe espanhola de 1918

Coronavírus: as lições a retirar da gripe espanhola de 1918
Mariana Branco 31 de março de 2020

Pandemia de gripe do inicio do século XX matou 50 milhões de pessoas entre os 500 milhões de infetados. Em 1918, quem apostou primeiro no isolamento social cresceu mais depois da crise

Os efeitos económicos que o novo coronavírus vai trazer ainda não são certos mas há um exemplo que pode ser analisado para perceber os efeitos que uma pandemia pode ter a nível económico – a pandemia de gripe de 1918, mais conhecida como gripe espanhola. Três investigadores acreditam que esta gripe deixa lições válidas para enfrentar o choque económico, entre as quais a forma como as cidades que se adiantaram a adotar medidas de distanciamento social "não só não tiveram um desempenho pior, como cresceram mais rápido quando a pandemia passou".

"As intervenções não farmacológicas [entre as quais o encerramento de escolas, teatros, igrejas; a proibição de reuniões públicas e funerais; a quarentena dos casos suspeitos e restrição nos horários de abertura de negócios] não só reduziram a mortalidade mas também mitigaram as consequências económicas da pandemia", asseguram Sergio Correia, Stephen Luck e Emil Verner, investigadores da Reserva Federal dos Estados Unidos e do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

De acordo com os investigadores, "as intervenções não farmacológicas podem dar rendimentos económicos, além da redução da mortalidade". O estudo publicado na passada quinta-feira, noticiado pela Bloomberg, sugere que aquelas cidades que aplicaram maiores medidas de distanciamento social "cresceram mais a médio prazo". O documento sublinha, no entanto, as diferenças na altura de traçar paralelismos entre a gripe espanhola e o novo coronavírus: o cenário económico estava marcado pelo fim da Primeira Guerra Mundial e aquela doença foi muito mais mortal que a Covid-19, principalmente nos mais jovens. Assim, defendem os investigadores, o choque económico foi maior naquela altura do que poderá ser agora.

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