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Combustíveis: cruzeiro de luxo suspende a navegação e deixa passageiros encalhados no Camboja

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A empresa queixa-se dos elevados preços do combustível. A viagem, que teria a duração de três anos e meio, começou em setembro de 2024, já com atrasos.

Ficou pelo Camboja o cruzeiro que prometeu percorrer o mundo, numa viagem com duração de três anos e meio. O Villa Vie Residences alega problemas financeiros, devido a uma subida "extraordinária" do preço dos combustíveis.

O cruzeiro partiu de Belfast com meses de atraso
O cruzeiro partiu de Belfast com meses de atraso AP

"Despesas mensais de combustível que historicamente rondavam os 1.800 dólares (1.617 euros), alcançaram recentemente valores estimados entre os 6.000 e 8.000 dólares (5.392 e 7.189 euros)", refere a empresa norte-americana num comunicado. Descreve a situação como uma "pressão financeira insustentável".

"Desde o início do conflito no Irão, em meados de fevereiro, temos tomado passos significativos na redução do consumo de combustível, incluindo abrandar o itinerário e passar mais tempo nos portos", revela a empresa. "Passar o aumento total para os residentes não é uma solução realista,"

Lanette Canen e Johan Bodin, ambos passageiros do Villa Vie Odyssey, que foram informados pelo CEO da empresa na terça-feira, às 6h da manhã (hora local), que teriam de sair pelas 14h (hora local). Revelam ainda que os passageiros já tinham conhecimento das dificuldades financeiras da empresa há algum tempo.

"Mesmo assim, tínhamos a esperança que um investidor miraculoso poderia aparecer", confessaram. "Tem havido muitos abraços e lágrimas entre os residentes para se apoiarem e processarem o que está a acontecer", acrescentaram.

Estavam alegadamente 200 passageiros a bordo quando se soube que teriam de desembarcar na cidade cambojana de Sihanoukville. A empresa confirma que o principal objetivo no momento é apoiar não só os passageiros, mas também os trabalhadores. A recapitalização deverá acontecer "nos próximos 60 dias".

A operadora do cruzeiro assume estar em diálogo com os passageiros, não só sobre os planos de desembarque mas também acerca de "estadia temporária".

Mas este não é o primeiro percalço da viagem. Antes de partir de Belfast em 2024, a embarcação atrasou a saída, uma vez que a embarcação precisava de reparações. A previsão de partida da origem seria em maio desse ano, mas começou a viagem apenas em setembro, deixando os passageiros em terra à espera durante meses.

Com Isabel Dantas

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