Sábado – Pense por si

Maria Henrique Espada
Maria Henrique Espada
27 de outubro de 2026 às 23:00

Os malucos da aldeia

O maluco da aldeia de vez em quando acerta. Ainda bem. Mas não devemos deixar de perceber que é do maluco de aldeia que falamos, em vez de aceitar acriticamente a linguagem e as práticas do maluco da aldeia. Sem ofensa para os eventuais malucos da aldeia, até porque estes são da cidade e há ali pelo meio organizações anticapacitistas.

Quem são, afinal, os manifestantes das acampadas? A questão dividiu o espaço público, entre quem defendia que era a juventude justamente indignada e quem invocava pírcingues e cores de cabelo para desvalorizar os protagonistas. Do outro lado, acusava-se o preconceito de julgar pelas aparências. Assim, mais vale crer nos próprios. Entre as cerca de 50 organizações subscritoras da convocatória inicia estão várias de aparentemente longe da habitação, de defesa dos direitos LGBT (SintraFriendly - Colectivo Juvenil LGBTIQA+ de Sintra e Apoiantes, Inércia do Tempo - Associação LGBTQIA+, Marcha LGBTQIAPN+ em Aveiro, ou a Qravo, “insurgência Queer antifascistas por corporalidades livres”), feministas e transfeministas (Rebenta, “coletivo transfeminista”, Plataforma Já Marchavas, “Feminista, LGBTQIA+, Ecologista, Antifascista, Antirracista”, FEM - Feministas em Movimento, Aveiro Feminista, C.S.A. A Gralha, um “centro social autogerido transfeminista”, A Coletiva - Feminismo anticapitalista, etc.). Há vários ligados à defesa da imigração e dos direitos dos imigrantes e/ou antirracismo (SaMaNe - Associação Saúde das Mães Negras e Racializadas em Portugal, SOS RACISMO, HuBB - Humans Before Borders, Coletivo Afreketê) e, dentro destas, várias de origem brasileira (Plataforma Geni, Plataforma das mulheres brasileiras migrantes, Coletivo Andorinha - Frente Democrática Brasileira, entre outras). Há ainda radicais de esquerda assumidos (GARA - Grupo de Ação Revolucionária Antifascista, MAR, “a vanguarda anarquista e comunista libertária dedicada à aniquilação total do capitalismo e do Estado”, Luta Final - “pelo “comunismo”, Coletivo Comunista Revolucionários). Pelo meio, há alguns dedicados ao ambiente (Climáximo, Deslarrrguem a Arrábida, etc.), e mesmo, quase surpreendentemente, à habitação (1º Esquerdo ou Chão das Lutas).

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