China rejeita acusações de racismo e xenofobia no tratamento a cidadãos africanos

Lusa 12 de abril de 2020
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Autoridades africanas confrontaram a China por causa das alegações de maus tratos aos cidadãos africanos, na sequência da pandemia do novo coronavírus.

A China rejeitou hoje as acusações de racismo e xenofobia feitas pela União Africana e pelos Estados Unidos da América (EUA), por alegados maus-tratos a cidadãos africanos e afro-americanos em Cantão.

coronavirus China
coronavirus China REUTERS/Stringer

"As autoridades em Cantão atribuem uma grande importância às preocupações recentemente levantadas por alguns dos nossos parceiros africanos", disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Zhao Lijian, citado pela agência France-Presse, acrescentando que as autoridades "estabelecerão um mecanismo de comunicação eficaz com os consulados" situados naquela província.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China sublinhou que as autoridades locais "opõem-se firmemente a qualquer racismo e qualquer declaração discriminatória".

As autoridades africanas confrontaram publicamente a China por causa das alegações de maus tratos aos cidadãos africanos, na sequência da pandemia da doença provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

De acordo com a Associated Press (AP), houve relatos de africanos que dizem ter sido afastados e discriminados num centro comercial devido ao medo da doença covid-19.

A agência refere também um alerta de segurança da embaixada dos EUA na China, emitido hoje, que dá nota de que "a polícia ordenou que bares e restaurantes não atendessem clientes que pareçam ser de origem africana" e que as autoridades locais determinaram a realização de testes obrigatórios e ‘auto quarentena’ para "qualquer pessoa com contactos africanos".

A embaixada denunciava ainda que algumas empresas e hotéis se recusam a fazer negócios com afro-americanos, em resposta ao aumento das infeções na cidade chinesa de Cantão, a norte de Macau e Hong Kong.

A polícia e o departamento de saúde pública de Cantão disseram na terça-feira aos jornalistas que as autoridades haviam respondido aos rumores, já desmentidos, de que "300.000 negros" naquela cidade do sul da China "estavam a desencadear uma segunda epidemia", o que "causou pânico".

Diplomatas africanos reuniram-se com responsáveis dos serviços diplomáticos da China para expressar "preocupação e condenação das experiências perturbadoras e humilhantes" às quais os seus "cidadãos foram submetidos", revelou a embaixada da Serra Leoa em Pequim, através de um comunicado divulgado na sexta-feira.

Pelo menos 14 cidadãos de Serra Leoa foram colocados em quarentena obrigatória por 14 dias, segundo a mesma nota.

A situação motivou já críticas do presidente da Câmara dos Deputados da Nigéria, Femi Gbajabiamila, e a intervenção do chefe da diplomacia nigeriana, Geoffrey Onyeama, que disse ter convocado o embaixador chinês para expressar "extrema preocupação" e pedir uma resposta imediata de Pequim.

O Quénia também já se manifestou através de uma declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da embaixada daquele país em Pequim.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 109 mil mortos e infetou quase 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, quase 360 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em África, há registo de 744 mortos num universo de mais de 13 mil casos em 52 países.

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