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Cerca de 11,6 milhões crianças expostas a riscos climáticos em Moçambique

A extensa costa, as zonas de baixa altitude, as principais bacias hidrográficas e a forte dependência da agricultura e dos recursos naturais tornam as crianças particularmente vulneráveis.

A Unicef estima que cerca de 11,6 milhões crianças moçambicanas estão expostas a, pelo menos, três riscos climáticos simultâneos, enfrentando elevada vulnerabilidade devido à combinação de fenómenos extremos e doenças sensíveis ao clima.

AP Photo/Carlos Uqueio

"Em Moçambique, 64,6% das crianças [11,6 milhões] estão expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos, colocando milhões em risco devido aos efeitos combinados de ciclones, inundações, secas, calor extremo e surtos de doenças sensíveis às alterações climáticas", lê-se num comunicado do Fundo das Nações Unidas para Infância, divulgado na terça-feira.

De acordo com o documento, a extensa costa, as zonas de baixa altitude, as principais bacias hidrográficas e a forte dependência da agricultura de subsistência e dos recursos naturais tornam as crianças particularmente vulneráveis em Moçambique.

"A pobreza, os choques recorrentes e as falhas nos serviços essenciais reduzem ainda mais a capacidade das famílias de enfrentar crises e recuperar. Só em 2024 e 2025, ciclones tropicais afetaram quase 1,8 milhões de pessoas e destruíram ou danificaram 183 unidades de saúde e mais de 4.600 salas de aula no país", refere-se.

Para a Unicef, os "riscos sobrepostos" afetam a vida das crianças danificando escolas, unidades de saúde, sistemas de água e infraestruturas de saneamento, reduzindo a disponibilidade de água e a segurança alimentar, além de aumentar o risco de surtos de doenças e de desnutrição e interromper a aprendizagem quando as escolas são danificadas, usadas como abrigos temporários ou se tornam inseguras devido ao calor, às inundações ou à falta de saneamento.

Mary Eagleton, representante da Unicef em Moçambique, citada no comunicado, avançou que, para as crianças moçambicanas, as alterações climáticas já não são uma previsão, mas uma realidade vivida a cada época de ciclones.

"Trabalhando em apoio ao Governo de Moçambique, o nosso desafio é claro, construir escolas, unidades de saúde e sistemas de água que resistam aos choques, para que nenhuma criança veja a sua aprendizagem ou a sua saúde interrompidas por um desastre", disse a responsável.

Para responder à crise, a agência da ONU para a infância defende investimentos urgentes em serviços sociais resistentes a choques climáticos, incluindo escolas seguras, unidades sanitárias resilientes, sistemas de água e saneamento eficazes, bem como sistemas de alerta precoce e proteção social adaptada a crises.

A organização apela ainda à redução das emissões de gases com efeito de estufa e ao reforço da participação de crianças e jovens na ação climática, alertando que a intensificação dos riscos poderá pressionar ainda mais os sistemas públicos e comprometer o bem-estar infantil no futuro.

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