Quem é Abelardo De la Espriella, o milionário que promete "mão de ferro" para a Colômbia
Passou de advogado controverso a vencedor das primárias presidenciais da Colômbia. Inspirado por Trump, Milei e Bukele, quer impor a autoridade e acabar com o primeiro governo de esquerda colombiano.
É advogado, tem 47 anos e conhecido como "el Tigre". Abelardo De la Espriella foi o candidato mais votado este domingo na primeira volta das eleições presidenciais colombianas (entretanto contestadas pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro). No segundo turno em 21 de junho, enfrentará o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro.
Inspirado pelos novos líderes de direita como Donald Trump, Javier Milei, Abelardo de la Espriella cita também como uma das suas grandes inspirações políticas Nayib Bukele. De Trump foi buscar o estilo desbocado (já disse ser o maior inimigo do comunismo e fez várias afirmações misóginas), a Milei quer imitar o plano económico e a Bukele o combate contra o crime organizado.
A promessa para combater o que diz ser uma "pandemia de insegurança" é enfrentar a violência com "mão de ferro", construindo prisões como as que Bukele construiu em El Salvador e que incluem o Centro de Confinamiento del Terrorismo (CECOT), uma prisão de máxima segurança considerada a pior prisão do mundo, devido às condições em que os reclusos habitam e as constantes violações de Direitos Humanos.
No final de 2025, Espriella lançou o movimento Defensores da Pátria, impulsionando a sua candidatura às presidenciais, aproveitando as sondagens que o identificavam como a principal voz do voto anti-Petro no país.
Abelardo de la Espriella baseou a sua campanha em ataques cerrados ao primeiro governo de esquerda da Colômbia, citando várias vezes o seu percurso profissional longe da política. Disse mesmo que o seu objetivo é que "a empresa mais importante do país, que é o Estado, seja gerida por pessoas que na vida criaram riqueza" e não por pessoas que dedicaram a vida inteira à política.
Historicamente, Espriella diz que admira o legado de Álvaro Uribe e propõe – assim como o ex-presidente colombiano – uma política de "tolerância zero" contra a corrupção.
Entre as suas propostas a nível social estão a instauração da pena de morte para assassinos de crianças, uma posição dura contra o aborto e afirmou ser um defensor da "família tradicional" com um pai e uma mãe, embora diga respeitar a jurisprudência do Tribunal Constitucional sobre direitos.
Ao longo da sua carreira enquanto advogado, defendeu múltiplas personalidades do país, incluindo paramilitares, narcotraficantes e estrelas de futebol. Entre os seus casos mais controversos estão a defesa de Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro e ex-ministro da Indústria da Venezuela, e David Murcia Guzmán, condenado por criar um grande esquema de lavagem de dinheiro.
Com o seu estilo de vida cosmopolita (vivia em Florença, Itália, e tem casa nos Estados Unidos), Espriella é um candidato diferente do que é comum na Colômbia. Gosta de usar fatos caros e diz ser um apreciador de "alta cultura".
Durante a campanha foi denunciado ameaças de morte de que foi alvo e fez vários discursos atrás de vidros à prova de balas e com um colete à prova de bala. "Estou sob fortes ameaças e em grave risco, mas o medo não me afeta. No meu Governo, qualquer bandido que não se submeter será morto", disse à AFP.