ONG denuncia morte de mais um preso político sob custódia na Venezuela
Esta morte eleva para 20 o número de presos políticos que morreram sob custódia desde 2014.
A organização não-governamental (ONG) Foro Penal disse que o cadáver de um preso político, detido desde fevereiro, foi encontrado no domingo na esquadra da polícia de Anaco, no nordeste da Venezuela.
"A nossa equipa realizou as investigações necessárias sobre a morte do ex-vereador José Manuel García", disse, no domingo, à agência de notícias France-Presse a coordenadora regional da ONG, que assegura a defesa dos presos políticos.
"O seu óbito foi confirmado; ocorreu enquanto estava detido nas celas da Polícia Municipal de Anaco, onde estava preso desde fevereiro de 2026 por alegada fraude e extorsão", disse a coordenadora, que pediu para não ser identificada por receio de represálias.
"O corpo foi encontrado a 10 de maio de 2026 e, de seguida, encaminhado para o Serviço Nacional de Medicina Legal de Barcelona, município de Simón Bolívar, estado de Anzoátegui, para a determinação oficial da causa da morte, que ainda não foi divulgada oficialmente", acrescentou.
Esta morte eleva para 20 o número de presos políticos que morreram sob custódia desde 2014.
O anúncio ocorreu três dias depois das autoridades reconhecerem, mais de nove meses após o falecimento, a morte sob custódia de outro preso político, Víctor Hugo Quero Navas, de 51 anos, que estava desaparecido desde a detenção, em janeiro de 2025.
Também no domingo, a Igreja Católica da Venezuela exigiu que sejam apuradas as responsabilidades criminais pela morte do preso político e opositor Víctor Hugo Quero Navas em 2025, reconhecida esta semana pelo Governo de Caracas.
Num comunicado divulgado no domingo, Dia da Mãe, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) manifestou "profunda consternação e tristeza" pela morte de Quero Navas, só reconhecida após meses de buscas por parte da mãe, Carmen Navas.
O corpo de Quero Navas foi exumado na sexta-feira pelas autoridades venezuelanas, depois de o Governo ter reconhecido na quinta-feira a sua morte, ocorrida há dez meses.
O Ministério do Serviço Penitenciário venezuelano indicou que Quero se encontrava detido na prisão El Rodeo I, perto de Caracas, desde 03 de janeiro de 2025, e foi transferido para um hospital a 15 de julho, após apresentar "hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda".
De acordo com o texto oficial, faleceu quase dez dias depois devido a "insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar".
O ministério assegurou que, durante o período de detenção, Quero "não forneceu dados sobre laços familiares e nenhum familiar se apresentou para solicitar uma visita formal".
Na sexta-feira, a líder da oposição venezuelana e Prémio Nobel da Paz María Corina Machado exigiu a libertação de todos os presos políticos no país "antes que morram mais".