Secções
Entrar

Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine: organização garante que estava autorizado a trabalhar

Luana Augusto 13 de julho de 2026 às 22:46

Agentes afirmam que abriram fogo depois de o homem ter tentado usar o veículo como arma. Esta não é, no entanto, a primeira vez que o ICE usa esta justificação. Para já, não há testemunhas que confirmem estas alegações.

Um imigrante colombiano morreu na manhã desta segunda-feira no Maine, Estados Unidos, durante um tiroteio que envolveu agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). A notícia foi avançada pelo próprio presidente da Câmara dos Representantes do Maine, Ryan Fecteau, que nas redes sociais correu a esclarecer o sucedido. 

1 de 5
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Foto: Gregory Rec/Portland Press Herald via AP
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Foto: Foto AP/Robert F. Bukaty
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Foto: WMTW via AP
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Foto: Gregory Rec/Portland Press Herald via AP
Jovem colombiano baleado pelo ICE no Maine
Foto: Foto AP/Robert F. Bukaty

“Uma pessoa morreu. O ICE estava envolvido. A polícia estatal e o Departamento de Segurança Pública estão no local a recolher informações e o FBI também deve investigar o caso”, escreveu na sua página do Facebook. “Estes são os detalhes que tenho no momento.”

Duas testemunhas disseram ter ouvido tiros no local e visto polícias a tentar disparar contra um carro que estava a ser conduzido pelo homem que foi baleado. Uma delas relatou até que viu a vítima a sair do carro com a cabeça a sangrar, contaram citadas pelo jornal local .

"Dois agentes do ICE correram em direção ao cruzamento e um outro agente, numa Ford, tentou parar o veículo que ainda estava em movimento", recordou à agência de notícias Associated Press, Corey Poulin, que gere uma lavandaria perto do local do tiroteio. "Não tenho a certeza, mas acho que já não estava vivo quando o carro se começou a mover."

As autoridades contam, no entanto, uma outra versão. O senador Angus King (independente) disse que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, lhe garantiu que o agente só abriu fogo depois de o homem ter tentado usar o veículo como arma contra os polícias que o perseguiam. Além disso, foi ainda referido que a vítima tinha uma ordem de deportação pendente.

"Ele saiu do veículo e, para usar as próprias palavras do secretário, transformou o veículo numa arma e foi baleado por um agente do ICE", esclareceu Angus King, que acrescentou que os agentes em questão não estavam a usar bodycams (câmaras corporais) e que o FBI está agora a investigar o caso.

Após o tiroteio, as autoridades não confirmaram a identidade da pessoa baleada. Acontece que duas organizações de direitos dos imigrantes do estado - a Coligação de Direitos dos Imigrantes do Maine e a Presente! Maine - se apressaram e adiantaram que a vítima se tratava de um colombiano de 26 anos, que tinha autorização para trabalhar nos Estados Unidos e que possuía até um número de Segurança Social.

“A nossa comunidade está a tomar medidas imediatas para proteger e cuidar desta família destruída pela violência estatal”, disse Crystal Cron, diretora executiva da Presente citada pelo jornal . “Dizer que estamos com o coração partido não chega nem perto para expressar a magnitude do cansaço, do terror e da dor que sentimos. Não permitiremos que esta morte seja reduzida a uma mera nota de rodapé nas estatísticas policiais desta administração. Não haverá liberdade até que todos sejam livres.”

Esta não é a primeira vez que o Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, tenta justificar um tiroteio fatal envolvendo agentes federais ao alegar que a vítima os tentou atropelar. A mesma justificação já havia sido usada na passada terça-feira, quando um agente disparou contra o imigrante mexicano Lorenzo Salgado Araujo, em Houston, no Texas. Foi morto enquanto se dirigia para o trabalho.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, o agente disparou contra Lorenzo Salgado depois de se ter sentido ameaçado - versão esta que as testemunhas refutaram. Mais tarde, as autoridades verificaram que o homem vivia nos Estados Unidos há mais de três décadas, mas afirmaram que ele não era o alvo e que o confundiram com um outro imigrante. Tanto a família como políticos e diversas organizações de direitos civis exigiram uma investigação sobre o incidente.

A forma como o ICE tem operado nos EUA já resultou em diversas mortes, só este ano, - incluindo dos americanos e , em Minneapolis, em janeiro. Além disso, já morreram 21 pessoas sob custódia da agência de imigração. A este ritmo, o número irá ultrapassar aquele que se verificou no ano passado, que foi de 33 mortes.

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas