Irão: Coreia do Sul analisa pedido de Trump para envio de navios para Ormuz
O presidente dos EUA disse na sexta-feira que a marinha do país começaria "muito em breve" a escoltar petroleiros na passagem estratégica.
A Coreia do Sul está a analisar o pedido norte-americano para enviar navios para o estreito de Ormuz para garantir a segurança da rota petrolífera do Golfo, afirmou este domingo um responsável da presidência sul-coreana.
"Estamos a acompanhar de perto as observações do Presidente [Donald] Trump nas redes sociais e analisaremos a questão com cuidado, em estreita concertação com os Estados Unidos", afirmou a fonte oficial à agência de notícias francesa AFP.
Trump pediu no sábado aos países afetados pelo atual bloqueio da rota petrolífera, nomeadamente a China, a Coreia do Sul e Japão, para ajudarem a resolver a situação no estreito de Ormuz.
Trump disse na sexta-feira que a marinha dos Estados Unidos começaria "muito em breve" a escoltar petroleiros na passagem estratégica, que está praticamente bloqueada pelo Irão desde que começou a guerra no Médio Oriente, em 28 de fevereiro.
"Esperemos que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros (...) enviem navios para a região a fim de que o estreito de Ormuz não seja mais ameaçado por um país totalmente decapitado", acrescentou.
A fonte da presidência sul-coreana disse à AFP que Seul estava a "analisar e a estudar de forma aprofundada diversas medidas (...) para garantir a segurança das vias de transporte de energia".
A Coreia do Sul, que depende fortemente das importações de energia, nomeadamente das entregas que transitam pelo estreito de Ormuz, impôs um limite aos preços dos combustíveis para atenuar a pressão durante a guerra no Irão, uma medida inédita desde 1997.
O pedido de Trump foi recebido com cautela no Japão, cuja Constituição pacifista adotada depois de 1945 proíbe o envolvimento das forças de defesa em conflitos.
O chefe do conselho político do Partido Liberal Democrático (LPD, no poder), Takayuki Kobayashi, não rejeitou hoje a possibilidade do envio de navios de guerra, mas aconselhou muita cautela na avaliação do pedido de Trump.
"Legalmente, não descartamos a possibilidade de emitir uma ordem de segurança marítima ao abrigo do artigo 82.º da Lei das Forças de Autodefesa, mas, dado o conflito em curso, devemos tomar uma decisão com cautela", advertiu na TV pública NHK.
Kobayashi disse que os critérios para o envio de navios de guerra para Ormuz "são muito elevados" e pediu que o Governo japonês "considere com calma" a evolução da situação no Médio Oriente, de acordo com a agência espanhola EFE.
A guerra em curso no Médio Oriente resultou no bloqueio quase total pelo Irão do estreito de Ormuz, por onde transita mais de 20% do comércio petrolífero internacional.
O conflito fez aumentar os preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis e de bens essenciais em vários países, incluindo Portugal, fazendo recear uma crise económica global.
Mais de duas mil pessoas foram mortas desde o início da guerra, a maioria no Irão.
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