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Irão: Teerão declara como "alvos legítimos" navios dos EUA, Israel e aliados

O estreito de Ormuz é considerado um enclave energético estratégico por nele passar cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte de minerais estratégicos.

O exército iraniano declarou esta quarta-feira como "alvos legítimos" todos os navios norte-americanos, israelitas e dos aliados dos dois países no estreito de Ormuz.

Navios de guerra no mar após ameaças do Irão sobre petroleiros
Navios de guerra no mar após ameaças do Irão sobre petroleiros Mass Communication Specialist 3rd Class Zachary Pearson/U.S. Navy via AP, File

"Qualquer navio cuja carga de petróleo ou o próprio navio pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista [Israel] ou aos seus aliados hostis será considerado um alvo legítimo", declarou o comando central das operações militares.

O exército iraniano não permitirá "a exportação de um único litro de petróleo" através do estreito em benefício dos Estados Unidos, de Israel ou dos seus parceiros, disse o comando num comunicado divulgado pela televisão estatal, citado pela agência francesa AFP.

Ebrahim Zolfagari, porta-voz do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, que coordena o exército regular com a Guarda Revolucionária, assegurou que os ataques contra alvos norte-americanos nos países do Médio Oriente vão continuar.

"O truque de esconder o exército cobarde em locais públicos e em infraestruturas dos países da região não poderá salvá-los do pântano em que ficaram presos", advertiu num vídeo publicado pela agência Tasnim e citado pela espanhola EFE.

O estreito de Ormuz é considerado um enclave energético estratégico por nele passar cerca de 20% do petróleo mundial e grande parte de minerais estratégicos.

Com o Irão a norte e Musandam a sul, uma península partilhada pelos Emirados Árabes Unidos e por um enclave de Omã, tem cerca de 166 quilómetros de comprimento e uma largura que varia entre 97 e 39 quilómetros.

É a única passagem do Golfo Pérsico para o mar Arábico, no norte do oceano Índico, entre a Península Arábica e a Índia.

A situação no estreito devido à guerra alterou o mercado internacional de petróleo após a Guarda Revolucionária do Irão ter ameaçado atacar qualquer navio que o cruzasse.

Um navio graneleiro de propriedade grega foi atingido hoje por um projétil de origem desconhecida perto do estreito, segundo o diário grego Naftemporiki.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) assegurou na terça-feira à noite ter destruído "múltiplos navios de guerra iranianos" perto do estreito de Ormuz, incluindo 16 embarcações que lançam minas no mar.

O Irão respondeu à ofensiva militar de grande escala lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel com ataques contra bases norte-americanas e alvos israelitas.

A retaliação iraniana alargou a guerra a vários países, com um saldo de 1.878 mortos desde 28 de fevereiro até hoje de manhã, dos quais 1.255 no Irão.

A guerra causou o receio de uma crise económica global devido às perturbações nos mercados de energia e de transportes de mercadorias e passageiros, tanto marítimos como aéreos.

Face à previsão de uma crise generalizada e aumentos de preços, vários países anunciaram que vão recorrer às reservas estratégicas ou adotaram medidas como o teletrabalho, decretado na função pública na Tailândia e no Vietname.

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