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Friedrich Merz alerta para vitória da extrema-direita na Alemanha que seria "big bang"

Lusa 06 de junho de 2026 às 20:33

Nas eleições regionais na Saxónia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em setembro.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, com uma impopularidade recorde após um ano no poder, advertiu este sábado contra uma possível vitória da extrema-direita em duas eleições regionais em setembro, descrevendo-a como um potencial "big bang".

Friedrich Merz, chanceler alemão Ebrahim Noroozi/AP

"Há mais em jogo do que apenas o futuro de um Governo" nas eleições na Saxónia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, declarou Merz num discurso no congresso do seu partido (União Democrata-Cristã, CDU) neste último estado, em Linstow, no nordeste do país.

Nestes dois estados da antiga Alemanha de Leste (RDA), o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera agora as sondagens com ampla vantagem.

"A questão fundamental aqui é saber em que direção deve a Alemanha seguir" e se os "partidos moderados" ainda são "capazes de resolver os problemas", sublinhou o conservador, cujo partido está com dificuldade em chegar a um acordo com os aliados sociais-democratas sobre reformas consideradas urgentes.

"Se não formos suficientemente bons, então haverá precisamente esse 'big bang' (grande explosão)", que acontecerá em setembro, "de uma forma diferente da que alguns terão imaginado", acrescentou.

Citando o ex-ministro ecologista Joschka Fischer, Merz criticou uma extrema-direita que quer "levar a Alemanha de volta à era anterior a [Konrad] Adenauer" - o primeiro chanceler da Alemanha pós-nazi (1949-1963) - e "está a pôr em causa tudo o que tornou o país bem-sucedido".

Nos últimos dias, a comunicação social divulgou um vídeo de políticos da AfD de Gelsenkirchen, uma cidade operária da região do Ruhr, na Alemanha Ocidental, a obrigar pessoas identificadas como ciganas a limpar a rua.

"Os alemães já não aguentam mais", declarou a líder do grupo, Enxhi Seli-Zacharias, num vídeo publicado na sua conta da rede social Instagram.

O partido AfD, anti-imigração, pró-Rússia e pró-Trump, venceu em 2024 a sua primeira eleição regional, na Turíngia, outra região da antiga RDA.

No entanto, não faz parte do Governo regional, uma vez que os outros partidos mantiveram até agora um "cordão sanitário" para o impedir de chegar ao poder.

A Alemanha, a maior economia da Europa, confronta-se com um crescimento lento e uma população envelhecida e está agora a assistir à ultrapassagem pela AfD da direita conservadora nas sondagens nacionais.

Segundo uma sondagem realizada pelo Instituto Insa para o jornal Bild e hoje à tarde publicada, o bloco CDU/CSU desceu para 21% nas intenções de voto, o seu pior resultado desde 2021, em comparação com 29% para a AfD.

E a insatisfação com Friedrich Merz, o chanceler mais impopular do pós-Segunda Guerra Mundial, continua a crescer: 77% dos cidadãos estão descontentes, mais seis pontos percentuais que em abril.

"As pessoas veem claramente que a Alemanha está a ficar para trás. A nossa confiança em nós mesmos está profundamente abalada", admitiu o ministro da Cultura, Wolfram Weimer, numa entrevista à revista Spiegel hoje publicada.

Weimer afirmou acreditar em "números muito melhores nas sondagens" dentro de dois anos.

"Se fizermos bem as coisas", acrescentou.

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