Familiar conta que padrasto das crianças abandonadas em Alcácer chegou a ir Paris "para matar Macron"
Marc Ballabriga, que tem tendência para pensamentos delirantes, considerava o presidente francês "reptiliano".
Um familiar do padrasto das crianças abandonadas em Alcácer do Sal, no dia 19 do mês passado, contou numa entrevista a um jornal francês que Marc Ballabriga, de 45 anos, sempre teve tendências para teorias da conspiração. Conhece-o desde muito jovem e fala no desenvolvimento de um comportamento "perturbador".
"Quando o Marc nasceu, em Argelès-sur-Mer, o pai era professor de Educação Física e a mãe (minha irmã) tinha apenas 18 anos. Eles permaneceram na região da Catalunha e depois mudaram-se para Châteauroux. Separaram-se quatro ou cinco anos depois, mas a minha irmã voltou a morar com o Marc junto da nossa família, em Aude, perto de Carcassonne. Foi aí que os problemas começaram", recorda o tio Gilles em declarações ao L'Independant.
O jovem Marc teve uma adolescência problemática. "Por volta dos 15 anos causou-nos muitos problemas. Tornou-se insuportável, na família todos tinham medo dele. Quando entrou para a Polícia pensámos que a disciplina ia fazer-lhe bem, que podíamos respirar aliviados."
De facto, Marc tornou-se polícia em Perpignan, onde encontrou uma companheira, com quem teve uma filha, agora com 18 anos. Mas foi acusado de violência doméstica, "preso duas vezes, em 2017 e 2020", e internado em três ocasiões num hospital psiquiátrico". Deixou a Polícia, dizendo-se "perseguido e assediado" pelo sistema judicial.
Em 2021, Gilles viu Marc reaparecer em Aude. "Ele queria ligar-se outra vez à família e pensámos que poderíamos tentar. Mas dizia coisas completamente delirantes, falava sobre o fim do mundo. Uma vez colocou as mãos na cabeça do avô e disse: 'estou a dar-lhe uma aura espiritual, você vai viver até os 200 anos'. Também disse que podia olhar para o sol diretamente, que não lhe queimava os olhos. Recorremos a artimanhas para o obrigar a ir embora e acabámos por usar a força. Tivemos dificuldade para fechar a porta, ele era corpulento, violento, completamente louco. Era o próprio diabo encarnado. Foi a última vez que o vimos…"
Na base dos delírios de Marc, que chegou a agredir fisicamente a irmã, estaria um grande ressentimento, não apenas com a família, mas com o mundo. "Certa vez, percebi que ele tinha ido a Paris para matar o presidente Macron porque considerava-o 'reptiliano'."
Recorde-se que Marc e a namorada, Marine Rousseau, abandonaram os dois meninos, de três e cinco anos, na estrada que liga Alcácer do Sal à Comporta no passado dia 19 de maio. As crianças foram encontradas por Alexandre Quintas, um padeiro que passava de carro naquela estrada e as recolheu, alertando depois as autoridades.
A mãe e o padrasto foram presos num café em Fátima, acabando depois por ficar em prisão preventiva. Os menores regressaram entretanto a França, onde estão "aos cuidados dos serviços de apoio social de Colmar".