De onde vem o conflito entre a Índia e o Paquistão pelo controlo da região de Caxemira?
O mais recente ataque à região de Caxemira nas Himalaias que matou 26 turistas desenterrou o conflito de longa data entre a Índia e o Paquistão.
Na terça-feira (22) um grupo de homens armados mataram 26 turistas em Vale Baisaran, Pahalgam, uma cidade turística na região de Caxemira altamente disputada entre a Índia e o Paquistão.
Desde então, a Índia anunciou uma série de medidas punitivas, tendo o Paquistão retaliado. Mas um agravamento desta disputa, que já tem cerca de 70 anos, deixa alguns receosos com um possível conflito nuclear.
O que é Caxemira?
Caxemira é uma região localizada entre a Índia, o Paquistão e a China. Índia e Paquistão reivindicam a região como sua, mas cada um deles controla uma parte. Existe então uma Caxemira administrada pela Índia e uma Caxemira administrada pelo Paquistão.
Como começou o conflito?
Índia e Paquistão têm lutado por esta região desde a divisão da Índia no final do domínio colonial da Grã Bretanha em 1947, que levou à criação das fronteiras entre os dois países como conhecemos hoje. A primeira disputa por Caxemira teve início nesse ano.
Há décadas que grupos rebeldes armados na região resistem às ordens de Nova Deli, tendo como objetivo unir o território sob o domínio paquistanês e em alguns casos apoiar sua independência.
O que diferencia este ataque dos anteriores?
Nos ataques anteriores, os militantes destes grupos armados atacaram geralmente as forças de segurança na fronteira entre a parte administrada pelo Paquistão e a Índia, mas desta vez o alvo foram turistas, o que nunca tinha acontecido.
De acordo com relatos e vídeos publicados nas redes sociais, vários turistas estavam a passear num campo, quando homens armados surgiram de uma floresta próxima e abriram fogo. A Índia já afirmou que dois dos suspeitos são paquistaneses e acusou Islamabade de envolvimento nos ataques.
Qual é o papel das armas nucleares?
O ataque de Caxemira agravou tensões diplomáticas entre os dois países que detêm armas nucleares, e que têm demonstrado ao longo dos anos o seu poder em termos de armamento.
A Índia foi a primeira a fazer ensaios nucleares em 1974, seguido de outro em 1998. O Paquistão prosseguiu com os seus ensaios e demonstrações nucleares poucas semanas depois, mas esta competição e demonstração de poder nuclear levou a sanções internacionais.
Desde então, ambas as partes têm construido o seu sistema de defesa não só com armas nucleares, mas com investimento em sistemas de lançamento de mísseis e aviões de combate, no caso de um eventual confronto em grande escala.
Como é que a relação diplomática tem vindo a piorar nos últimos dias?
Desde o ataque de dia 22, a Índia anunciou uma série de medidas punitivas, incluindo uma redução das relações diplomáticas, a suspensão do tratado crucial de partilha de água, revogando também os vistos emitidos a cidadãos paquistaneses. Em resposta, o Paquistão considerou as ações da Índia "irresponsáveis" e cancelou os vistos para os cidadãos indianos, suspendeu todas as trocas comerciais com a Índia e fechou o seu espaço aéreo aos aviões indianos.
Como é que um tratado de água pode agravar esta rivalidade?
As origens do "Tratado sobre a Água do Indo" remontam à divisão da Índia em 1947, e com a criação de duas nações soberanas - Índia e Paquistão.
Com as duas nações a dependerem dos mesmos sistemas fluviais para a irrigação e a agricultura, surgiu a necessidade urgente de negociar uma partilha equitativa dos recursos hídricos. Nos termos do tratado, a Índia controla os três rios orientais, Ravi, Sutlej e Beas, enquanto o Paquistão controla os três rios ocidentais, Jhelum, Chenab e Indus.
A Índia é obrigada a permitir que as águas dos rios ocidentais desaguem no Paquistão, com algumas excepções. Contudo, e segundo a agência noticiosa Reuters, se houver a suspensão deste acordo, os riscos incluem o aumento das tensões, potenciais conflitos de água e graves impactos económicos, especialmente para o Paquistão, que depende fortemente do rio Indo.
Como será o futuro?
Desde do ataque de dia 22, já houve uma troca de tiros na fronteira que separa a Caxemira administrada pela Índia e a Caxemira administrada pelo Paquistão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirma que o Irão está pronto a intervir e a ajudar os dois países a resolver a escalada de tensões.
"A Índia e o Paquistão são vizinhos fraternos do Irão, com relações enraizadas em laços culturais e civilizacionais seculares. Tal como outros vizinhos, consideramo-los a nossa principal prioridade", escreveu numa publicação da rede social X. "Teerão está pronto a usar os seus bons ofícios em Islamabade e Nova Deli para forjar um maior entendimento neste momento difícil", concluiu.
Segundo a televisão Al Jazeera, a polícia indiana, o exército e outras forças de segurança estão a levar a cabo "intensas operações de busca e isolamento" em toda a Caxemira administrada pela Índia.
A polícia de Anantnag, um distrito na zona de Caxemira administrada pela Índia, informou que 175 pessoas foram detidas para serem interrogadas no âmbito dos esforços para encontrar os autores do tiroteio. A polícia declarou que está também a tentar "desmantelar as redes de apoio às atividades terroristas".
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