Colômbia vai a votos: quem são os candidatos que podem redefinir as relações com os EUA?
Milhares de colombianos vão hoje às urnas para eleger o próximo presidente. Votação deverá ditar a relação da Colômbia com os Estados Unidos, bem como a forma como o país irá gerir os conflitos com grupos de rebeldes, que há décadas assolam o território.
Milhares de colombianos dirigem-se este domingo às urnas para eleger o próximo presidente da Colômbia. Ao todo são 11 os candidatos que concorrem a esta eleição e que vão redefinir a relação com os Estados Unidos, assim como mostrar como pretendem combater os grupos de rebeldes, cujos conflitos marcam a história do país há décadas. Em junho do ano passado, o candidato à presidência Miguel Uribe Turbay, foi até assassinado a tiros durante a campanha eleitoral.
“A eleição de hoje não é importante apenas para nós, é importante para toda a América Latina”, disse à agência de notícias Associated Press Juan Acevedo, um sociólogo de 62 anos que na manhã deste domingo se dirigiu às urnas para exercer o direito de voto. “Quem vencer aqui indicará se as políticas progressistas irão continuar ou se as coisas vão voltar à direita.”
Para que haja, no entanto, uma eleição é preciso que um dos candidatos obtenha pelo menos 50% dos votos. Caso tal não se suceda será algo extremamente raro na história da Colômbia, e se assim for, os dois candidatos mais votados terão de disputar a segunda volta, prevista para 21 de junho.
Quem são os principais candidatos à presidência?
Ivan Cepeda, é senador, defensor da paz e aliado do presidente cessante Gustavo Petro, e lidera atualmente as sondagens. Durante a sua campanha, Cepeda prometeu dar continuidade à iniciativa de "paz total" de Petro - que defende que é preciso continuar a negociar com os grupos rebeldes no país e assinar acordos de paz com eles -, embora os planos de paz tenham fracassado ou estagnado em grande parte.
Segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), só no ano passado os conflitos armados afetaram mais civis do que em qualquer outro período da última década, e este domingo o Ministério da Defesa mobilizou até 408 mil soldados e polícias para garantir a segurança nestas eleições.
Abelardo de la Espriella é também um candidato presidencial forte e, à semelhança do candidato Paloma Valencia, promete ter mão de ferro nos grupos armados.
Espriella, que se intitula como "o tigre", é advogado e ganhou força entre os eleitores principalmente nas últimas semanas por se apresentar como alguém interessado em utilizar as mesmas táticas repressivas que foram usadas na guerra de El Salvador para combater os gangues - medidas estas que reduziram drasticamente a violência dos grupos rebeldes, mas que alimentou também acusações de violações dos direitos humanos. Durante a sua campanha, foi visto a entoar cânticos patrióticos e a usar um colete à prova de balas num carro onde também os vidros são à prova de balas.
Já Paloma Valencia assume o lugar de conservadora e é considerada a protegida do ex-presidente Álvaro Uribe - que governou o país entre 2002 e 2010 com forte apoio dos Estados Unidos e cujo governo derrubou os rebeldes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Valencia defende, por exemplo, a eliminação de impostos ou a oferta de empréstimos governamentais e empreendedores.
Tanto Espriella como Valencia, têm demonstrado grande afinidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Por contrapartida, Cepeda insiste que a Colômbia não devia ser um "estado vassalo" dos norte-americanos.
A captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas fez com que o Gustavo Petro fosse um dos poucos líderes de esquerda da região a não estar ideologicamente alinhado com Trump. Isso fez com que o presidente norte-americano também o acusasse de não fazer o suficiente para impedir que a cocaína do seu país chegasse às ruas dos Estados Unidos.
Trump chegou até a chamá-lo de "um homem doente que gosta de vender cocaína para os Estados Unidos" e deixou um ultimato ao dizer que ele "poderia ser o próximo" a sofrer uma intervenção militar.