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Christine Lagarde saúda acordo entre EUA e Irão mas aponta que não é fim de crise no país

Lusa 15 de junho de 2026 às 11:10

Presidente do BCE sublinhou que, apesar de tentativas anteriores não terem produzido acordos bem-sucedidos, "parece que desta vez é a certa".

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) saudou esta segunda-feira o acordo anunciado entre Irão e os EUA, cuja assinatura deverá ser formalizada nos próximos dias, mas alertou que não resolve já a questão nuclear iraniana.

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu Christopher Neundorf / Lusa - EPA

"Se a notícia for corroborada pelos acontecimentos dos próximos dias e pela assinatura de um memorando de entendimento, pelo que entendi, na sexta-feira, na Suíça, não podemos deixar de nos alegrar", disse Christine Lagarde em entrevista à emissora pública Radiofrance Culture, citada pela agência Efe.

Em particular, Lagarde destacou a importância da reabertura e desminagem do estreito de Ormuz, apontando que foi o encerramento desta via que levou a um aumento extraordinário dos custos das matérias-primas e a uma maior instabilidade mundial.

A presidente do BCE sublinhou que, apesar de tentativas anteriores não terem produzido acordos bem-sucedidos, "parece que desta vez é a certa".

Ainda assim, vincou que "a história ainda não terminou" e disse que a questão do enriquecimento de urânio "continua a ser debatida" - o que era "entre aspas, um dos 'objetivos' desta guerra".

A responsável registou ainda que a sua cautela também está relacionada com a existência de calendários de comunicação, tendo considerado que "não é totalmente anódino" que o pacto tenha sido tornado público no dia do 80.º aniversário do Presidente norte-americano, Donald Trump, e na véspera da cimeira de líderes do G7, que decorre entre hoje e quarta-feira em Évian, França.

Ainda assim, se o que foi acordado "é realmente a paz", "pouco importa" que os anúncios tenham sido feitos atendendo às datas.

Os Estados Unidos e o Irão declararam a "cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes", incluindo a ofensiva israelita no Líbano.

Embora ainda existam questões técnicas relativas ao programa nuclear iraniano, as delegações vão realizar reuniões preparatórias durante a semana, antes da assinatura oficial prevista para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça.

A limitação da circulação no estreito de Ormuz resultou em aumentos dos preços dos combustíveis e desencadeou um aumento da inflação pelo mundo.

Na Europa, o Conselho do BCE decidiu, na semana passada, aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos base pela primeira vez desde 2023.

Na decisão publicada na quinta-feira, o BCE refere que "a guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro".

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