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As figuras democratas preparadas para as próximas presidenciais dos Estados Unidos

Renata Lima Lobo 13 de janeiro de 2026 às 07:00

Estão marcadas para 2028 e muito pode mudar em mais de dois anos. Mas já se alinham preferências.

Donald Trump não se poderá candidatar a um terceiro mandato. Pelo menos assim se escreve na Constituição dos Estados Unidos da América (EUA), embora o atual presidente norte-americano já manifestado interesse em seguir para uma terceira ronda como presidente, uma vontade que embate com as regras atualmente em vigor. As próximas presidenciais estão marcadas para 7 de Novembro 2028, sendo que no início desse ano os partidos escolhem os seus candidatos. Quem poderá fazer frente à permanência do Partido Republicano no poder e a potenciais nomes como o atual vice-presidente JD Vance? O site agregador de sondagens  dá uma ajuda.
Santiago Mejia/San Francisco Chronicle via AP

Gavin Newsom

Governador da Califórnia desde 2019, tem sido uma das mais ativas vozes democratas na oposição a Donald Trump. Nas rede social X, a conta do seu gabinete de imprensa chega a mimicar, com ironia, a linguagem de Trump, escrevendo inclusive com letras maiúsculas, no que parece ser uma tentativa de responder, literalmente, à letra. Este ano, os californianos regressam às mesas de voto para eleger um novo Governador e Newsom não se pode candidatar a um terceiro mandato, mas já assumiu estar a considerar uma candidatura à presidência da República. A decisão será revelada após as eleições intercalares de 3 de Novembro. Mas o caminho parece estar a ser preparado. A 24 de fevereiro, será publicada a sua autobiografia, chamada Young Man in a Hurry: A Memoir of Discovery, um retrato de uma vida que inclui alguns episódios mais turbulentos e traumáticos. Desde o caso, em 2017, com a esposa de um assessor de longa data, à morte da mãe em 2002, com apenas 55 anos, com recurso à eutanásia, após uma longa luta contra o cancro da mama. “Deitei tudo cá para fora”, disse Newsom, citado pelo  - jornal onde trabalha o jornalista e co-autor do livro, Mark Arax – ciente de que “ser honesto” poderá ter “um custo”. Por outro lado, expor as fragilidades pelas suas próprias palavras pode ser uma jogada de defesa preventiva, enquanto que uma digressão de promoção do livro, e respetiva cobertura mediática, irá aumentar o seu tempo de antena.  Segundo a plataforma Race To The WH, que agrega todas as sondagens que vão sendo feitas nos EUA, o governador da Califórnia tem boas hipóteses de bater possíveis candidatos republicanos, como JD Vance, o atual vice-presidente. Neste caso, e considerando uma média dos últimos inquéritos à população, Newsom consegue 45,3% contra 42,9% do republicano. 

Kamala Harris

“Ainda não terminei”. No passado mês de outubro, Kamala Harris deixou em aberto uma nova candidatura à presidência da República, numa entrevista à . Não será a primeira, nem a segunda, mas sim a terceira para a ex-procuradora e senadora democrata que se entrou para a história como a primeira mulher a assumir a vice-presidência dos EUA.  Após ter perdido as eleições de 2025 para Donald Trump, Kamala Harris ainda acredita que a Casa Branca vai ter uma mulher como Presidente. E, talvez, possa ser ela própria. Numa entrevista com Laura Kuenssberg, onde classificou Trump de "tirano”, quando questionada diretamente se haveria a possibilidade de ser Harris a encontrar esse novo lugar na história, a antiga vice-presidente respondeu “possivelmente” e defendeu: “Vivi toda a minha carreira como uma vida de serviço e isso está nos meus ossos”, diz Harris, que em Setembro publicou o livro 107 Days, as suas memórias políticas da campanha presidencial de 2024. A verdade é que, segundo as contas disponíveis em Race To The WH, Kamala Harris posiciona-se ligeiramente à frente de JD Vance, com 43,1% vs 42%. 

Pete Buttgieg

Antigo Secretário dos Transportes, chegou a ser candidato às primárias presidenciais o Partido Democrata para as eleições de 2020. No início do ano passado, corria a informação que iria concorrer ao Senado, pelo Michigan, mas em março Buttgieg anunciou que não se iria candidatar, ficando perfilado como uma das mais prováveis apostas dos democratas à Casa Branca, em representação de uma nova geração alinhada com os valores da justiça social ou da ação climática.  Abertamente homossexual e casado com Chasten Glezman - professor do Ensino Secundário - Buttgieg ocupa a terceira posição nas sondagens relativas às primárias presidenciais o Partido Democrata, conseguindo alcançar os 10,9%, atrás de Newsom (25,4%) e Harris (20,5%) e à frente de Alexandria Ocasio-Cortez (8,8%) e Josh Shapiro (4,8%). A 16 de janeiro, Buttgieg vai liderar uma assembleia aberta a cidadãos em La Crosse, no Winsconsin, para falar "sobre o que está em causa nos próximos meses, mas também sobre os desafios diários que as pessoas enfrentam: o custo da habitação, dos cuidados infantis, dos cuidados de saúde e a necessidade de uma liderança que realmente ouça", lê-se na descrição do evento. No mês passado, Buttigieg disse ao comediante Jimmy Kimmel que os democratas “têm dificuldade em conseguir imaginar” uma era pós-Trump na política norte-americana. E acrescentou: “Temos de estar preparados para esse dia, com uma visão clara do que vem a seguir”. 
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