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Acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia pode estar próximo, mas pontos fundamentais continuam de fora

Débora Calheiros Lourenço 29 de janeiro de 2026 às 12:42

A cedência de território, garantias de segurança e quando os combates devem cessar são as três questões centrais e nas quais os dois lados estão sob discórdia.

Os negociadores ucranianos e russos vão ter esta semana uma nova ronda de negociações, mediada pelos Estados Unidos, para tentarem quebrar o impasse que impede o fim do conflito em solo ucraniano.  
ASSOCIATED PRESS
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, já afirmou que Volodymyr Zelensky está pronto para se encontrar com o homólogo russo, Vladimir Putin. Ainda assim avançou que “as questões mais sensíveis ainda não foram resolvidas”.   Ambos os lados parecem estar a esforçar-se para demonstrar aos Estados Unidos que estão a cooperar nas conversações, talvez até mais do que realmente estão. Na quarta-feira, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, referiu que “o fato de uma série de questões complexas estarem a ser discutidas a nível especializado já pode ser considerado um progresso e o início de um diálogo”. Ainda assim, analistas internacionais referiram, ao , que enquanto a Ucrânia demonstra disposição para negociar, a Rússia está apenas a cumprir formalidades, mantendo-se fiel ao seu objetivo inicial de subjugar a Ucrânia.  Antes das do passado fim de semana nos Emirados Árabes Unidos, o envidado especial norte-americano Steve Witkoff referiu que as divergências se resumiam a , e que esta era “solucionável”. Já em Davos, Donald Trump disse que acreditava que um acordo está “razoavelmente próximo”. Ainda assim essa ronda de negociações acabou com um impasse em três questões centrais: a exigência da Rússia por um território ucraniano, garantias de segurança no futuro para a Ucrânia e se os combates devem terminar antes ou depois de o acordo ser alcançado.  

Território

A realidade é que passados quase quatro anos desde o início da guerra, a Rússia já não espera conseguir ocupar toda a Ucrânia, no entanto Putin mantém o objetivo de anexar, no mínimo, toda a região do Donbas, além de manter a posse da península da Crimeia.   Moscovo propôs um acordo apelidado de Fórmula de Anchorage, no qual a Ucrânia teria de ceder toda a região do Donbas, incluindo zonas que neste momento não estão sob controlo russo. O Kremlin tem defendido que foi sob esta fórmula que Putin e Trump acordaram quando se .   No entanto Kiev tem recusado por considerar que ceder território seria ilegal e extremamente impopular. Ainda assim Zelensky já afirmou estar preparado para considerar um cenário em que o Donbas seria desmilitarizado e designado como uma “”, mas teria de permanecer oficialmente como parte da Ucrânia, algo que a Rússia não considera suficiente. O presidente ucraniano tem defendido que qualquer decisão sobre o território terá de ser aprovada com um , ou mesmo eleições nacionais.   Após a última visita de Witkoff a Moscovo, o assessor de Putin reiterou que “não se pode esperar um acordo de longo prazo sem resolver a questão territorial” e insistiu novamente que as negociações dependem da possibilidade de obter a totalidade do Donbas.   Na quarta-feira foi a vez do secretário de Estado americano, Marco Rubio, reconhecer o impasse sobre o Donbas: “É uma ponte que precisamos de atravessar. Ainda há um abismo, mas pelo menos conseguimos reduzir a lista de questões a uma central, e provavelmente será uma questão muito difícil”.  
Ainda em questões territoriais surge a questão de quem deverá gerir a central nuclear de Zaporizhzhia – a maior da Europa – localizada perto da linha da frente e atualmente sob controlo russo. Zelensky espera que a central seja controlada pela Ucrânia e pelos Estados Unidos enquanto a Rússia também quer participar no acordo e sugere que compartilhe a gestão de Zaporizhzhia com os Estados Unidos ou com Kiev.  

Segurança

A Ucrânia encontra-se bastante preocupada com as garantias de segurança para o pós-guerra de forma a evitar que a Rússia lance outra invasão em grande escala.  No início deste mês, o Reino Unido e a França concordaram em enviar tropas para a Ucrânia, assim que um acordo seja alcançado. Os Estados Unidos elogiaram o plano como sendo “o mais robusto já visto”, mas não avançaram com informações sobre se os Estados Unidos também vão defender a Ucrânia. Na terça-feira o Financial Times avançou que a administração Trump está a condicionar as garantias de segurança no pós-guerra à renúncia de território no Donbas, algo que a Casa Branca negou.  
O para a paz proposto pelos Estados Unidos prevê a entrada da Ucrânia na União Europeia em 2027 e a adesão ao Bloco inclui uma cláusula que exige que os países se defendam mutuamente em caso de invasão. A União já iniciou o processo para que a Ucrânia possa pertencer ao Bloco, mas ainda não foi definida qualquer data para que tal aconteça e o processo pode ser longo.   Na área da segurança, a Rússia já deixou claro que não pretende aceitar qualquer cenário que inclua a presença de tropas de países na NATO em território ucraniano e pede que a sua segurança seja garantida. O Kremlin tem defendido que só se sentirá seguro quando a questão de uma possível adesão da Ucrânia à NATO estiver definitivamente descartada, o exército ucraniano estiver limitado a 600 mil soldados e quando Moscovo tiver poder de veto sobre quaisquer decisões futuras relativas à defesa da Ucrânia.  Cessar-fogo  Apesar de ser essencial definir o que vai acontecer depois da guerra terminar, a maior parte dos ucranianos encontram-se mais preocupados com as questões imediatas, como o cessar-fogo. Kiev pede o fim imediato das hostilidades enquanto Moscovo tem insistido que é preciso definir o acordo para o futuro antes de interromper os combates.   Até que um acordo seja alcançado “a Rússia continuará a perseguir consistentemente os objetivos da operação militar especial”, garantiu o assessor de Putin. A realidade é que, apesar de estarem planeadas mais conversações para esta semana, os mísseis russos continuam a bombardear a Ucrânia diariamente, criando falhas na rede elétrica e deixando milhares de pessoas afetadas numa altura em que as temperaturas se encontram consistentemente abaixo do zero.  
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