Investigação

Rui Pinto atacou e-mail do primeiro-ministro...

Rui Pinto atacou e-mail do primeiro-ministro...
Nuno Tiago Pinto 06 de outubro de 2020

... e dos ministros da Defesa, Negócios Estrangeiros, Justiça, do Gabinete Nacional de Segurança, bem como de magistrados judiciais e do MP. Na decisão que suspendeu o processo em que eram investigados estes factos, o MP diz que se trata de “pequena criminalidade” e que culpa do hacker é “diminuta”

A Policia Judiciária encontrou nos discos rígidos de Rui Pinto indícios de que o pirata informático foi o responsável por três campanhas de spearphishing, em março de 2017, que atingiram os mais altos cargos do governo e respetivos gabinetes ministeriais. Entre os alvos desses ataques informáticos encontrava-se o próprio primeiro-ministro, António Costa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a ministra da Justiça, Francisca van Dunem, o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes e secretários de Estado. Na lista de potenciais vítimas estão ainda elementos do ministério das Finanças, do MAI, de vários gabinetes governamentais e ainda a antiga Procuradora-Geral da República Joana Marques Vidal.

A informação consta de um processo que correu inicialmente no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP), resultado de uma queixa apresentada pelo Centro de Gestão Informática da Rede do Governo (CEGER) após a deteção dos ataques. Posteriormente, após a captura de Rui Pinto na Hungria e a localização nos seus dispositivos de elementos relacionados com esse ataque informático, o inquérito transitou para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), onde a SÁBADO o consultou.

De acordo com uma informação assinada pelo inspetor José Amador, o responsável pela investigação dos vários processo que tem Rui Pinto como principal suspeito, "no decurso da análise realizada aos dispositivos eletrónicos apreendidos" ao hacker "foram detetados elementos que permitem relacionar a atividade do referido arguido e as campanhas de spearphishing que ocorreram no período em apreço nos autos onde figuram como alvos múltiplas caixas de correio inseridas em domínios da justiça (...) e bem ainda do Centro de Gestão da Rede Informática do Governo." Mais: "os indícios constantes nos autos são compatíveis com conteúdos localizados em contexto de análise forense", escreveu o inspetor em outubro de 2019, um mês após ter sido deduzida a acusação do processo em que Rui Pinto está a ser julgado por 90 crimes de acesso indevido, violação de correspondência, acesso ilegítimo, sabotagem informática e tentativa de extorsão.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
A Newsletter Geral no seu e-mail
Tudo o que precisa de saber todos os dias. Um resumo de notícias, no seu email. (Enviada diariamente)