Justiça

Estou sim? Daqui fala o primeiro-ministro e estou a ser escutado

Estou sim? Daqui fala o primeiro-ministro e estou a ser escutado
Carlos Rodrigues Lima 31 de janeiro

Sócrates foi o primeiro, mas suas conversas acabaram destruídas, sem deixarem de causar um sério mal estar na Polícia Judiciária, como mostram alguns documentos. Seguiu-se Passos Coelho, cujas escutas a SÁBADO revela. Até que chegou a vez de António Costa.

A simples notícia de que um primeiro-ministro foi escutado a falar ao telefone causa sempre uma enorme controvérsia. Recuando a novembro de 2009, quando foi tornado público a existência de escutas telefónicas com o então primeiro-ministro José Sócrates, Vieira da Silva, o ministro da Economia do governo socialista, não teve qualquer pejo em classificá-las como "espionagem política". Uns anos mais tarde, foi a vez de Pedro Passos Coelho ser escutado ao telefone com o banqueiro José Maria Ricciardi. O caso deu origem a uma investigação, sem qualquer resultado até hoje. A SÁBADO revela alguns documentos desconhecidos até hoje do processo da "Face Oculta", assim como a totalidade dos resumos transcritos no "Monte Branco" relativos às conversas entre José Maria Ricciardi e Pedro Passos Coelho. A rede das escutas apanhou agora António Costa, num caso revelado pela SÁBADO: o do hidrogénio.



O "desejo manifestado por decisor político de primeiro nível"

Foi a 12 de junho de 2009 que José Sócrates entrou no processo "Face Oculta" através de uma informação do então diretor da Polícia Judiciária de Aveiro, Teófilo Santiago. Num documento remetido ao Ministério Público, o responsável da PJ deu conta que a investigação ao empresário Manuel Godinho tropeçou e reuniu "indícios consistentes" de situações que, "embora marginais ao escopo desta investigação", mas com ligações a alguns dos seus intervenientes, "não podem deixar-se passar em claro, desde logo por se levantarem sérias dúvidas quanto à sua legalidade". Mas, sobretudo, continuou Teófilo Santiago, porque a "confirmarem-se os seu contornos", tais atos "representam um sério atropelo aos mais elementares princípios por que se devem nortear os Estados democráticos".

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