Operação Marquês

Operação Marquês: O dinheiro e o poder de mãos dadas

Operação Marquês: O dinheiro e o poder de mãos dadas
Nuno Tiago Pinto 07 de abril

Segundo o Ministério Público, José Sócrates e Ricardo Salgado foram os expoentes máximos de várias pessoas que terão conspirado para usar os cargos que exerciam para se apoderarem de muitos milhões de euros. Até à próxima sexta-feira, dia da decisão do juiz Ivo Rosa, a SÁBADO vai publicar vários textos que retratam o essencial da acusação e das defesas dos arguidos.

Na sexta-feira, o juiz de instrução Ivo Rosa decide se os arguidos da Operação Marquês vão a julgamento e, se sim, acusados de que crimes. Leia tudo sobre a acusação do Ministério Público, um trabalho publicado originalmente na SÁBADO de 14 de outubro de 2017.

Diz-se que o dinheiro e o poder andam de mãos dadas. E que, juntos, movem o mundo. Muitas vezes, ou em grande parte delas, no interesse daqueles que o têm - e que o exercem. Se há algo que fica demonstrado no despacho de acusação da Operação Marques, deduzido na passada segunda-feira, dia 9 de outubro, é isso mesmo: que várias pessoas com poder - político e financeiro - unidas por laços de amizade e interesses comuns, moveram influências para retirar benefícios particulares dos cargos que exerciam.

No topo desta pirâmide estava, segundo o Ministério Público (MP), José Sócrates, agora acusado da prática de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 crimes de branqueamento de capitais, nove crimes de falsificação de documento e três crimes de fraude fiscal qualificada. De acordo com a tese dos procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), o ex-primeiro-ministro começou por se servir da rede de amigos de confiança, construída ao longo de décadas, para obter ganhos financeiros, através de decisões, e poder de influência que lhe advinham do facto de ser chefe do governo português. Depois, utilizou essa mesma rede para canalizar os muitos milhões de euros que lhe foram oferecidos por pessoas com um poder paralelo ao que ele próprio alcançara. Concretamente, Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo. E conseguiu dissimular na Suíça, em contas controladas por pessoas de confiança, cerca de 34 milhões de euros.

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