A companhia, fundada em 1977, inicia em outubro a temporada 2026/2027 com "Desassossego", programa de criações de Daniel Cardoso e Marcelino Sambé inspiradas no "Livro do Desassossego", de Pessoa.
A estreia absoluta de Desassossego, inspirada na obra de Fernando Pessoa, abre em outubro a temporada 2026/2027 da Companhia Nacional de Bailado, que irá celebrar 50 anos com uma nova criação alusiva, segundo a programação anunciada esta terça-feira.
Sob o lema "Celebrar o Extraordinário", a nova temporada marca o início das comemorações do cinquentenário da Companhia Nacional de Bailado (CNB), fundada em dezembro de 1977, com novas criações, obras do repertório clássico e contemporâneo e um reforço da circulação nacional e internacional, segundo a direção da companhia.
A temporada abre com "Desassossego", programa em estreia absoluta que reúne duas novas criações de Daniel Cardoso e Marcelino Sambé inspiradas no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, e que fica em cartaz de 22 de outubro a 1 de novembro.
Trata-se da primeira colaboração entre os dois coreógrafos, que partem da obra do poeta português para explorar, através da dança, temas como a inquietação, a imaginação e a liberdade, inaugurando um novo ciclo de criação da companhia, descreve o texto da temporada.
Um dos momentos centrais das comemorações do cinquentenário surge com "A Extraordinária Companhia -- 50 anos de futuro", nova criação do diretor, o coreógrafo Fernando Duarte, com música original de Edward Ayres d'Abreu, concebida especialmente para assinalar cinco décadas da companhia, com estreia absoluta marcada para o dia 29 de abril de 2027, Dia Mundial da Dança.
A produção será apresentada até maio, acompanhada pela Orquestra de Câmara Portuguesa, sob direção de Pedro Carneiro, e irá propor uma reflexão sobre a história da CNB, sem se limitar a revisitar as cinco décadas de atividade, procurando antes imaginar "aquilo que a Companhia poderá continuar a ser nas próximas décadas", segundo o texto da direção.
Na apresentação da temporada, Fernando Duarte afirma que "marca a entrada no ano simbólico do cinquentenário" da CNB, abrindo "um ciclo de evocação, reinvenção e projeção de cinquenta anos de criação artística".
Segundo o responsável, a temporada afirma-se como "um território onde os ecos do passado ressoam com renovada vitalidade, projetando-se num futuro que se quer aberto, plural e surpreendente", conciliando tradição clássica, repertório contemporâneo e novas encomendas coreográficas.
Ainda em dezembro deste ano, para a época natalícia, regressará ao palco do Teatro Camões "A Bela Adormecida", na versão coreográfica de Ted Brandsen sobre música de Piotr I. Tchaikovski, interpretada pela CNB com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, dirigida por Antonio Pirolli.
Segundo a companhia, o regresso deste clássico do repertório universal apresenta uma renovada cenografia e novos figurinos, opção sustentada pela "permanência das grandes obras que continuam a renovar-se a cada nova geração de intérpretes".
Entre fevereiro e março de 2027, a companhia nacional apresentará pela primeira vez em Portugal "Carmina Burana", criação do coreógrafo Edward Clug sobre a partitura de Carl Orff.
A produção reúne em palco a CNB, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro Lisboa Cantat, dirigidos por Pablo Urbina, interpretando "uma das mais reconhecidas versões coreográficas contemporâneas desta obra musical".
Para junho está prevista a estreia absoluta de "Pedro e o Lobo", criação de Andreas Heise para a infância, inspirada na célebre composição de Sergei Prokofiev, interpretada pela Jovem Orquestra Portuguesa, dirigida por Jorge Leiria.
O objetivo desta nova produção, sublinha a direção, é reforçar a aposta da CNB na formação de novos públicos, dirigindo-se a crianças, famílias e escolas e integrando a educação artística "como uma das vertentes da missão da companhia".
A temporada termina, entre junho e julho, com "Lightness and Darkness", programa que reúne "Les Sylphides", de Michel Fokine, e "The Look", da coreógrafa israelita Sharon Eyal, colocando em diálogo um dos marcos da história do bailado clássico com uma voz da criação coreográfica contemporânea.
A programação estende-se igualmente à circulação nacional e internacional: "Os Maias", coreografia de Fernando Duarte com curadoria musical de Andrea Lupi, está integrada na programação de setembro de Ponta Delgada -- Capital Portuguesa da Cultura 2026, seguindo depois para para Madrid, onde será apresentada no Centro de Danza Matadero, em abril de 2027, e em Almada, em julho.
O programa "Only Duos", que reúne coreografias de Michel Fokine, Filipe Portugal, Wubkje Kuindersma, Joseph Toonga, Miguel Ramalho e Angelin Preljocaj, percorrerá vários teatros nacionais, com apresentações em Ourém, Tavira, Leiria e Torres Novas, entre outubro deste ano e janeiro de 2027.
A nova peça "A Extraordinária Companhia -- 50 anos de futuro" prosseguirá igualmente em circulação nacional, com apresentações em Faro, em julho do próximo ano, acompanhada pela Orquestra do Algarve, indica a temporada.
Paralelamente à programação artística, a CNB continuará com o Programa de Aproximação à Dança, atividade de mediação através de conversas, oficinas, projetos educativos, sessões do Clube de Leituras Dançadas, iniciativas nas escolas e Ensaios Gerais Solidários, com o objetivo de "promover o contacto entre artistas, comunidades e novos públicos".
Fernando Duarte, ainda citado no texto de apresentação, considera que a temporada 2026/2027 será um momento para a CNB revisitar a sua história, afirmar o presente e projetar o futuro, "reforçando a missão de preservar o património coreográfico, estimular a criação contemporânea e aproximar novos públicos da dança".
Com esta programação, o diretor artístico sublinha o objetivo de "garantir que, cinquenta anos depois da sua fundação, [a companhia] continua a ser um espaço de criação, pensamento e encontro".
A CNB foi criada em 22 de junho de 1977, por despacho do professor, escritor e então secretário de Estado da Cultura David Mourão-Ferreira, tornando-se uma das primeiras instituições públicas no domínio das artes performativas a ser criada de raiz em Portugal, após o fim da ditadura.