Ricardo Trigo: “O paradigma de que todas as famílias têm de ter dois carros é errado”

Juliana Nogueira Santos 05 de setembro

Ricardo Trigo diz que os eventos climáticos extremos são cada vez mais frequentes. E alerta: as alterações climáticas já chegaram e estão a deixar os cientistas “com os pelos dos braços eriçados”.

O climatologista assume que era, até há alguns anos, um “conservador” no que diz respeito à influência humana nas alterações climáticas. Atualmente, Ricardo Trigo, especialista em Variabilidade e Extremos Climáticos no Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, afirma, sem dúvidas, que as alterações climáticas são nossa responsabilidade. E aponta o dedo aos interesses económicos, que fizeram com que perdêssemos tempo numa luta que poderá ser pela nossa sobrevivência. Traça até uma comparação com a forma como as tabaqueiras – que sabiam que o tabaco era prejudicial – conseguiram criar dúvidas sobre o tema durante décadas. A mesma estratégia é usada pelas empresas de carvão e petróleo. Mas isso tem de mudar e começar por coisas simples, como ter apenas um carro e evitar os aviões.

Depois da publicação do relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas], a 9 de agosto parece que o mundo acordou para a realidade. Como reagiu ao documento?
Há muitos aspetos essenciais deste relatório que já lá estavam antes. O que se passou, e que fez com que mesmo as pessoas da área ficassem mais assustadas, é que se confirma que já estamos no meio das alterações climáticas. Quando olhamos para a frequência de situações climáticas extremas, por exemplo, percebemos que não está a crescer linearmente, mas sim exponencialmente. Isso faz com que os pelos dos braços comecem a eriçar.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui