Entrevista

Duncan Simpson: "A PIDE oferecia uma via profissional a pessoas sem educação"

Duncan Simpson: 'A PIDE oferecia uma via profissional a pessoas sem educação'
Diogo Barreto 16 de maio

O historiador britânico Duncan Simpson considera que em Portugal falta um estudo aprofundado sobre como os "portugueses comuns" se relacionavam com a PIDE. E assegura que havia quem não soubesse da existência da polícia política.

Duncan Simpson é um historiador inglês radicado em Portugal e especializado no Estado Novo. Em dezembro do ano passado publicou um ensaio intitulado Approaching the PIDE ‘From Below’: Petitions, Spontaneous Applications and Denunciation Letters to Salazar's Secret Police in 1964, que se baseava nas centenas de cartas e "candidaturas espontâneas" enviadas para conseguir trabalhar na polícia secreta do Estado Novo. Meses mais tarde, em fevereiro, escreveu um artigo no jornal Público intitulado Os portugueses foram vítimas ou cúmplices da PIDE? que esteve na base duma troca de artigos em tom de discórdia entre o investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e historiadores nacionais como Irene Flunser Pimentel ou Luís Reis Torgal sobre a forma como se abordou a história da PIDE no País até agora.

No seu artigo, Duncan acusa a grande maioria dos historiadores portugueses que se dedicaram ao estudo do Estado Novo e da sua polícia política, de focar-se "quase unicamente no estudo das modalidades de repressão exercida sobre a oposição ao Estado Novo. A narrativa histórica estabelecida tende a enquadrar o resto da população no papel de 'povo-vítima'", entendendo que falta um estudo que olhe para a influência exercida pela PIDE nas "bases" populacionais.

Vários historiadores responderam ao investigador a trabalhar com o apoio de uma bolsa Marie Curie, incluindo Irene Flunser Pimentel, Luís Reis Torgal ou Luís Farinha, todos com um tom crítico e acusatório ao historiador que defende que a maior parte dos portugueses que viveram sob o salazarismo não eram militantes antifascistas nem tinham uma relação de hostilidade para com a PIDE, muitas vezes procurando a ajuda dos seus agentes ou até mesmo um trabalho.

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