Ana Gomes: “O casamento é uma negociação diária”

Ana Gomes: “O casamento é uma negociação diária”
Vanda Marques 14 de fevereiro

Com o confinamento os desafios aumentaram e mudaram, os casais sentem-se mais cansados. A presidente da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, Ana Gomes, ajuda compreender o que se tem passado.

Há cada vez mais famílias a pedir ajuda. Os desafios das relações, do confinamento, da escola em casa e dos adolescentes longe dos amigos tornam uma vida a dois ainda mais complexa. São tudo questões que criam obstáculos ao bem-estar. A presidente da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, Ana Gomes, explica que só com o diálogo é que será possível combater o desgaste. Alerta que as famílias estão a passar dificuldades e que vivemos uma altura de "fragilidade na saúde mental".


Qual a consequência nos casais de mais um confinamento?
Aquilo que posso observar, é que se para alguns casais foi muito benéfico, uma vez que permitiu estarem mais tempo juntos, para outros está a ser cansativo. Há casais que estão mais cansados. Além disso, neste regresso às aulas estou a receber mais queixas do que no primeiro, por parte dos pais. Já sabem o que passaram.

Os casais com filhos, neste momento estão, menos entusiastas e menos satisfeitos. E quando os casais que não conseguiram reparar o mal-estar do passado, a sua forma de comunicar, de estabelecer parceiras nas tarefas, se não estava bem, a situação foi piorando. Há muitos casais que se afastaram ainda mais e deram o passo para o divórcio. Muitos casais deram-se conta, de uma forma mais clara e evidente, da sua distância. Houve até situações de maior violência, porque não havia possibilidade de sair e compensar com os amigos. E isto continua a acontecer. Quem está mal, está mesmo mal.

Já há fragilidade na saúde mental, situações depressivas. Se juntarmos a isto o facto de, nalguns casos, o sistema de trabalho ter-se tornado menos entusiasmante e motivante, claro que se reflete na vida conjugal.

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