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Um herdeiro ignorado e outro preso: as polémicas da família que lidera a Samsung

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De uma disputa de 40 anos entre dois irmãos a um sucessor preso e culpado de suborno, a herança do império Samsung, a maior empresa sul-coreana, está recheada de polémicas.

A Samsung não só é a maior empresa sul coreana, como é também o maior conglomerado familiar do país. Lidera em receitas e acaba por ter um impacto significativo na economia nacional, representando cerca de 13% do seu PIB. A liderança é sustentada pelo domínio nos setores dos smartphones, semicondutores, investimentos em inteligência artificial (IA), assim como o fabrico de chips.

Lee Jae-yong, o presidente executivo da Samsung
Lee Jae-yong, o presidente executivo da Samsung AP

Sendo uma empresa com tanta importância, a linha de sucessão e as respetivas polémicas acabam por fazer parte da cultura sul-coreana, merecendo grande foco nos meios de comunicação do país. 

O herdeiro preso

E assim foi em 2017 quando o herdeiro designado da Samsung, e neto do fundador, Lee Jae-yong, também conhecido como JY Lee, foi preso pelo seu envolvimento num escândalo de corrupção que também envolveu o presidente do país da altura, Park Geun-hye. 

Foi acusado de dar dinheiro a instituições geridas por Choi Soon-sil, uma amiga próxima do ex-presidente, em troca de apoio político e uma fusão que iria reforçar o seu controlo sobre o conglomerado. Foi ainda acusado de cometer fraude financeira na fusão entre uma subsidiária da Samsung, a Samsung C&T e a Cheil Industries. 

Apesar de ter negado as acusações de fraude, foi considerado culpado de suborno em 2017. 

O risco da sucessão

Sendo o único filho varão, Lee Jae-yong foi escolhido para liderar a Samsung quando o pai Lee Kun-hee faleceu de ataque cardíaco em 2014. Mas apesar de ter sido treinado para o cargo durante mais de três décadas, muitos não acharam a escolha convincente, segundo nota a estação televisiva britânica

Algumas pessoas consideravam que a irmã seria mais competente e foram levantadas questões sobre as suas capacidades quando o seu projeto e-Samsung entrou em colapso durante a crise das pontocom. Toda esta discussão em volta da sucessão de JY Lee não foi vista com bons olhos, uma vez que a família já tinha sido marcada por problemas na sucessão que elegera o seu pai, Lee Kun-hee, o filho mais novo do fundador da Samsung, que foi escolhido para liderar em detrimento dos seus dois irmãos mais velhos.

O tio de JY Lee, Lee Maeng-hee, o filho mais velho do fundador, deveria por tradição ter herdado a empresa, mas segundo relatos citados pela publicação britânica, revelou-se inapto quando lhe foi dada a oportunidade para liderar a Samsung. 

A disputa de 40 anos

Em 2008, tanto Lee Jae-yong como o pai demitiram-se depois de um antigo advogado da empresa ter afirmado ter conhecimento da existência de um fundo secreto que estava a ser utilizado para subornos e pagamentos políticos. 

O pai foi ilibado das acusações de suborno, mas foi considerado culpado de evasão fiscal e recebeu uma pena suspensa e uma multa. Mas a incerteza sobre a liderança da maior empresa sul-coreana permaneceu. Lee Kun-hee acabou por receber um perdão presidencial e voltou ao cargo de presidente da Samsung.

Só que os problemas não acabaram aí. Em 2012, o filho mais velho do fundador, Lee Maeng-hee, lançou uma tentativa de reclamar o que considerou ser a sua herança legítima. Lee Jae-yong e o pai enfrentaram então mais uma ação judicial que poderia obrigá-los a devolver ações no valor de centenas de milhões de dólares, o que poderia desmantelar o império. 

Contudo, os tribunais consideraram que, embora algumas alegações do irmão mais velho do presidente tivessem fundamento, o prazo para intentar uma ação judicial já tinha expirado. 

O futuro

Lee Jae-yong foi absolvido em julho de 2025 das acusações do crime de suborno, o que garantiu a sua posição na linha de sucessão, colocando um ponto final numa década de acusações, audiências e períodos na prisão. 

Durante o processo judicial chegou a indicar uma mudança no rumo do futuro da Samsung. “Quero fazer uma promessa neste momento, que não haverá mais polémicas relacionadas com a sucessão, não vou passar os direitos de gestão aos meus filhos”, afirmou. 

Contudo, se o seu filho não vai ser o próximo sucessor, quem será?

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