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Pingo Doce acusado de recusar horário flexível a pais. Empresa diz ter acautelado "soluções"

Sindicato afirma que Pingo Doce impediu a entrada ao trabalho de funcionários com responsabilidades parentais, após alterações "ilegais" nos horários. Empresa nega acusações e rejeita denúncias de alegadas agressões.

O Pingo Doce foi recentemente acusado de impedir a entrada ao trabalho de alguns funcionários com responsabilidades parentais. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio (CESP), a empresa alterou "ilegalmente" os horários e quando os trabalhadores em causa se apresentaram no "horário a que têm direito"  - os pais com filhos menores de 12 anos têm direito a horários flexíveis - "foram impedidos de entrar". Um deles terá mesmo sido "agarrado e atirado ao chão pelos vigilantes", denuncia o sindicato. A empresa nega todas as acusações e garante que tentou acautelar as necessidades destes trabalhadores.

Pingo Doce
Pingo Doce Pedro Elias/Jornal de Negócios

"O Pingo Doce ataca mães e pais que pedem horário flexível para acompanhar os filhos menores de 12 anos. A lei determina que o horário flexível entra em vigor de imediato", denunciou o sindicato nas redes sociais. 

Contactada pela SÁBADO, fonte oficial da empresa negou qualquer "alteração ilegal de horários de trabalho". O Pingo Doce "reafirma o seu respeito integral pela legislação laboral em vigor, designadamente os direitos associados à parentalidade. (...) Assim, é falso que a companhia não tenha acautelado soluções para os dois referidos colaboradores."

A empresa garante ainda que a "todos os colaboradores com filhos menores de 12 anos foram apresentadas soluções para que se enquadrassem no horário em vigor mais adequado à sua situação familiar" e que a implementação desta medida foi "previamente comunicada no início de março, através de diferentes momentos de contacto, incluindo reuniões individuais".

"Ao longo deste processo, foram analisadas situações específicas, nomeadamente de colaboradores com responsabilidades parentais, garantindo o seu enquadramento no novo modelo de horários, em linha com o previsto na lei. A todos os colaboradores com filhos menores de 12 anos foram apresentadas soluções para que se enquadrassem no horário em vigor mais adequado à sua situação familiar", assegura a empresa.

Em contrapartida, o sindicato afirma que o Pingo Doce "não respondeu aos pedidos destes dois trabalhadores".

Relativamente à alegada agressão, que segundo o CESP envolveu um trabalhador com "problemas físicos de saúde" na loja de Odivelas, o Pingo Doce afirmou ter aberto "de imediato um processo de averiguação interna para apuramento cabal dos contornos da situação", concluindo que "não se verificou qualquer situação de agressão" e que "os dois colaboradores em questão têm comparecido ao trabalho com normalidade".

Perante esta alegada situação, o sindicato informou ter solicitado "intervenção da polícia para tomar nota da ocorrência" e garantiu que "vai agir judicialmente".

"Este exemplo demonstra bem a interferência das empresas de distribuição nas propostas de alteração à lei do trabalho (Pacote Laboral), principalmente no ataque aos direitos de parentalidade. O Pacote Laboral ainda não está em vigor, nem vai estar. Os trabalhadores não vão deixar", concluiu o sindicato.

Em causa está um "novo modelo de organização de horários nas cozinhas de Odivelas e Aveiro" implementado "no dia 4 de maio". Segundo o Pingo Doce, "este modelo assente em horários e folgas fixas (...) abrange mais de 500 colaboradores" e visa promover "melhores condições para a conciliação entre a vida profissional e pessoal".

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