Já comeu num restaurante-fantasma?

Já comeu num restaurante-fantasma?
Raquel Lito 09 de abril

Longe da vista, há chefs que montam negócios de baixo orçamento: a partir de 10 mil euros. Se o menu for bom e a localização central podem ser bem-sucedidos. A SÁBADO visitou as cozinhas escondidas.

Enfiados em 16 m2, dois millennials empreendedores atendem pedidos remotos, preparam comida asiática, colam nas embalagens os autocolantes da sua marca criada a 12 de março. Chama-se Kojin, deus japonês do fogo, do fogão a lenha e da cozinha. Neste restaurante-toca (dark kitchen, no léxico dos chefs) não há empregados, nem mesas, nem clientes a comer. Em vez disso, usam as redes sociais para assegurarem a proximidade com o público.

Ana Alves, de 27 anos, e o namorado Gonçalo Bouceiro, 23, só precisam de uma pequena cozinha industrial – arrendada por €2.200 mensais na hub gastronómica Weat, em Alcântara. A renda inclui água, luz, Internet, limpeza dos espaços comuns, segurança e controlo de pragas. "A ideia é contratar staff para estar aqui", avançam. O resto faz-se pelo serviço de entregas, acionado via online, que lhes cobra uma comissão na ordem dos 30%. Se é muito? "É o mercado."

Investimento (muito) controlado 

É na despensa de 5 m2, no piso de cima, que guardam os ingredientes. Os custos são controlados, sem prejuízo da qualidade dos produtos. A confeção é rápida, para que os estafetas cheguem a casa dos clientes em 15 minutos, num raio de quatro a seis quilómetros, com a refeição quente (este é um dos pontos-chave do conceito).

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