Uma investigação do Wall Street Journal analisou milhares de vídeos publicados nas redes sociais por criadores de conteúdos que apelavam à utilização da plataforma de apostas e apresentaram ganhos falsos no valor de €1.7 milhões.
Foram analisados um total de 1.105 vídeos de dez criadores de conteúdos diferentes. Tinham todos o mesmo modus operandi: gravar um vídeo, fazer uma aposta na Polymarket numa previsão à sua escolha, esperar pelo resultado e apresentar os ganhos que faziam com a aposta. Na realidade os influenciadores faziam as suas apostas num site falso, idêntico ao original da Polymarket. Tanto a aposta como os ganhos apresentados eram falsos, ou seja, sem risco real, mas para os visualizadores parecia tudo legítimo, dando a entender que ganhar dinheiro através da casa de apostas era fácil.
Anúncio da Polymarket em Times Square, Nova Iorque, antes das eleições municipais da cidade, em 2025OLGA FEDOROVA/AP
A investigação, levada a cabo pelo Wall Street Journal,mostra que este método de publicidade faz parte de uma operação de maior escala, financiada pela própria Polymarket, com o intuito de fazer crescer a plataforma. A empresa pagava aos influenciadores para gravar e publicar os vídeos. Acresce ainda que a casa de apostas contratou uma empresa de marketing, a Virality, para fazer clips (pequenos recortes de vídeos) dos vídeos originais para as redes sociais, de modo a que a plataforma se tornasse viral. Segundo o jornal americano, os vídeos que publicitavam a casa de apostas reuniram um total de 140 milhões de visualizações no YouTube, TikTok e Instagram. De acordo com a CNBC,a empresa de apostas lucra €876 milhões por ano.
Já nos Estados Unidos, a administração Trump tem optado pela falta de regulamentação no que diz respeito às plataformas de apostas: a agência americana responsável pelo controlo deste tipo de mercados, a CFTC - Commodity Futures Trading Comission (Comissão de Negociação de Futuros Commodities) já impôs, segundo relata o Wall Street Journal, seis processos judiciais para impedir que as casas de apostas sejam reguladas nos estados federais. Donald Trump Jr., o filho do presidente norte-americano, é um investidor na Polymarket.
A Polymarket foi criada em 2020 por Shayne Coplan e funciona como uma plataforma onde os utilizadores podem apostar na previsão de um resultado, como tentar antever quem será o vencedor de uma eleição, ou se um país vai atacar outro, como sucedeu com as eleições para escolher o mayor de Nova Iorque e a guerra entre os Estados Unidos e o Irão, respetivamente. A empresa chegou a operar em Portugal, com registo de utilizadores a fazer apostas nas eleições presidenciais de 2026, mas a reguladora do setor das apostas, o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, bloqueou o site de apostas no País.
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