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Governador do Banco de Portugal diz que subida de juros foi importante para evitar espiral de inflação

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Para Álvaro Santos Pereira, a estabilidade de preços é "absolutamente essencial", nomeadamente para evitar que o "imposto da inflação" penalize as famílias e empresas.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, defendeu esta segunda-feira a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de subir os juros, considerando que teve como objetivo prevenir uma espiral de inflação.

 Álvaro Santos Pereira, governardo do Banco de Portugal
Álvaro Santos Pereira, governardo do Banco de Portugal Lusa

Na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico, em Lisboa, o governador salientou que a decisão "foi consensual", num contexto de "subida dos preços, não só da energia como dos fertilizantes, e os preços começarem a atingir outros bens e serviços".

Santos Pereira relembrou o que aconteceu em 2021 e 2022, salientando que "quando a inflação sobe numa espiral significativa, isso funciona como um imposto para as pessoas, que perdem poder de compra".

Para o governador do BdP, a estabilidade de preços é "absolutamente essencial", nomeadamente para evitar que o "imposto da inflação" penalize as famílias e empresas.

"É importante que a política monetária tome a decisão que tomou para evitar que a espiral de inflação aconteça", salientou, acrescentando que a presidente do BCE "foi muito clara ao dizer que as decisões vão ser feitas reunião a reunião".

O BCE decidiu, na semana passada, subir as taxas diretoras em 25 pontos base, para 2,25%, devido ao impacto do conflito no Médio Oriente.

Já o ministro das Finanças português considerou, na semana passada, que a subida das taxas de juro anunciada pelo Banco Central Europeu devido às pressões inflacionistas da guerra no Médio Oriente "não era absolutamente necessária", sendo uma "crise diferente da de 2022".

"Naturalmente há uma preocupação do Banco Central Europeu [BCE]. O BCE, que teve uma ação muito importante em 2022 [na anterior crise energética], entendeu dar este primeiro sinal ao mercado, mas veremos nos próximos meses. Eu mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e não era absolutamente necessário, mas respeito naturalmente o mandato e a independência do BCE", disse Joaquim Miranda Sarmento.